| CRÍTICAS | Sisu – Estrada da Vingança

O sucesso de Sisu pode não ter sido o suficiente para inscrever a palavra no nosso léxico (sisu é uma daquelas palavras que não tem tradução directa – tal como a nossa saudade – e que significa no finlandês uma coragem e uma determinação extraordinária), mas chegou para garantir uma sequela. Afinal, o que havia para não gostar numa espécie de western spaghetti finlandês ambientado no final da Segunda Guerra Mundial, em que um homem sozinho (Jorma Tommila) dizimava sozinho um batalha completo de nazis.

Sisu – Estrada da Vingança repete a fórmula, apenas tornando-a maior, mais brilhante e mais barulhenta. Ou seja, aumentando o bodycount e o nível de gore. E trocando os nazis pelos soviéticos, que então ocupavam a Finlândia. Jorma Tommila, que volta a não dizer uma única palavra no filme todo, seguindo aquela tradição dos heróis de acção silenciosos inaugurada por O Ofício de Matar, regressa assim a casa depois da guerra, mas esta cheia dos fantasmas da família assassinada. Por isso, desmonta-a barrote a barrote, coloca-os na caixa da sua camionete e arranca em busca de um lugar calmo, onde possa voltar a reconstruir o seu lar.

Só que, desta vez, Jorma Tommila vai ter no seu encalço o comandante soviético que lhe matou a família. Sisu – Estrada da Vingança é assim uma perseguição literal entre rato e gato, com um vilão importado directamente dos filmes de James Bond, com monólogo e tudo (óptimo Stephen Lang, que este ano também foi um vilão com pinta no novo Avatar – Fogo e Cinzas), num filme dividido por episódios e em que um se chama convenientemente Motor Mayhem, já que é uma cópia chapadinha do Mad Max, mas com veículos do século passado.

Claro que Sisu – Estrada da Vingança é um filme para se ver com o cérebro desligado, já que grande parte das situações desafia abertamente a nossa suspensão da descrença (e as leis da física), com tanques voadores e camiões a abater aviões. Mas o realizador Jalmari Helander mostra que imaginação não lhe falta e cada corpo que cai é uma cena cuidadosamente coreografada. O bodycount é elevado e o gore é exagerado, mas não há nenhuma morte que não seja uma cena pensada ao pormenor.

E tudo isto concentrado em pouco mais de hora e meia, num ritmo non-stop que nos ajuda a não ter tempo para pensar muito no que estamos a ver. Sisu – Estrada da Vingança é mais um arraial de porrada altamente estilizado, que sobe um nível na escala de violência em relação a John Wick – a unidade pela qual nos nivelamos neste tipo de filmes desde 2014 – e que promete não ficar por aqui. Até porque, nos créditos finais, dá a ideia que Jorma Tommila encontrou amigos… Confesso que Sisu não me tinha encantado propriamente, mas este McChicken já me soube melhor, apesar de ser igualmente derivativo e action driven como o anterior. Mas vamos lá explicar isto.

Título: Sisu 2
Realizador: Jalmari Helander
Ano: 2025

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *