| CRÍTICAS | O Terror

O Terror é uma espécie de membro honorário da Trilogia de Poe, de Roger Corman, uma vez que compartilha com esses alguns elementos em comum: os cenários, alguns actores e o mesmo tipo de horror gótico. E, no entanto, O Terror não deixa de ser o mais característico deles todos.

Primeiro porque é um filme de época. Jack Nicholson é um soldado napoleónico, que se perde do seu regimento e acaba por encontrar uma misteriosa jovem à beira da praia (Sandra Knight), por quem se enamora e desenvolve uma intensa obsessão, que o levam ao castelo do misterioso Boris Karloff à sua procura. A segunda coisa é que O Terror termina com o castelo a ser inundado, quando a norma é terminar tudo com um grande incêndio. E, talvez seja apenas pelo inusitado da situação, mas essa é a melhor cena de todo o filme.

Roger Corman sempre foi o rei da série b, na forma como colocava ao dispor da narrativa a economia de meios. Apesar das limitações, não se pode apontar a O Terror lacunas a esse nível. Aliás, os exteriores são mesmo um regalo aos olhos, com a sua luz recortada e proporções exageradas, que tanto lembram o Expressionismo alemão como o Tim Burton do início. Ou seja, o estúdio utilizado em função do filme e não o contrário.

O que fica a faltar a O Terror é um argumento mais rico. Corman aposta tudo nos ambientes e na atmosfera claustrofóbica, o que faz com que grande parte do tempo seja apenas Jack Nicholson confuso a andar de um lado para o outro. E, por falar em Nicholson, ele foi aqui um dos realizadores não creditados do filme, responsável pela tal cena da inundação. Na lista aparecem ainda outros dois jovens então desconhecidos, Francis Ford Coppola e Monte Hellman. Só por isso, vale a pena perder tempo com este Double Cheeseburguer.

Título: The Terror
Realizador: Roger Corman
Ano: 1963

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