| CRÍTICAS | Lilo & Stitch

A tradição dos desenhos-animados com animais antropomorfos da Disney é milenar, quase tão antiga quanto as pirâmides do Egipto. Por isso, quando surge um filme como Lilo & Stitch, que foge a essa tendência e, pela primeira vez, apresenta criaturas extraterrestres, é motivo de realce. Estávamos em 2002, a Disney vinha de dois fiascos de bilheteira e procurava regressar às raízes, com um filme mais modesto, mas tentando inovar para não perder o comboio da animação, que tinha sido tomado de rompante pela Pixar e pela animação digital.

No entanto, a Disney mantém-se fiel a si própria e, apesar de serem criaturas de outro planeta, a fórmula é a mesma: a antropomorfização. Stitch (voz de um dos próprios realizadores, Chris Sanders) é uma criatura de outro mundo, criada em laboratório por um cientista malvado (David Ogden Stiers) como a criatura mais maléfica e destrutiva da galáxia. Como Stitch não pode ser abatido por claras questões éticas, é condenado ao exílio, mas acaba por fugir e acabar na Terra, onde vai ser perseguido pelos seus conterrâneos.

Na Terra, Stitch aterra no Havai, muitos anos antes de Vaiana voltar à cultura maori, onde será adoptado por Lilo (voz de Daveigh Chase), uma miúda órfã de pai e mãe, que vive com a irmã (Tia Carrere) que se esforça para que a Segurança Social não a levem, e que é vítima de bullying por ser… diferente. Lilo e Stitch são então dois proscritos da sociedade que formam uma amizade improvável e que, pelos laços do amor e da família, ultrapassam uma série de peripécias até ao final feliz, enquanto Lilo descobre a felicidade e Stitch a humanidade.

Lilo & Stitch, neste embrulho improvável, acaba por se revelar não só um filme sobre o valor da família, mas também uma inesperada história sobre o trauma da perda e da rejeição. Tudo isso recorrendo a à cultura havaiana, representada de forma muito postal de férias, a um feeling muito old school com os seus cenários em aguarela, as canções do rei Elvis Presley (que imortalizou pela primeira vez o Hawai no cinema, com Hawai Azul) e uma criatura que devia ser assustadora, mas que é extremamente adorável e fofinha.

Infelizmente Lilo & Stitch tem um último acto um pouco atabalhoado, que parece ter sido escrito numa tarde de copos, que dá cabo do crédito que o filme tinha amealhado na primeira metade. No entanto, não deixa os créditos da Disney em mão alheia e é um McChicken mui honrado, com a habitual mensagem moral final.

Título: Lilo & Stitch
Realizador: Dean DeBlois & Chris Sanders
Ano: 2002

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