| CRÍTICAS | 28 Dias

Mais Uma Rodada, o último filme de Thomas Vinterberg, tem coleccionado prémios e um pouco habitual consenso entre o público e a critica (excepto aqui no tasco, porque a mim, cinéfilo de gosto impecável, ninguém me engana), mas a verdade é que esse filme já foi feito vezes sem conta. E em melhor. É certo que Mais Uma Rodada é mais sobre drinking culture do que alcoolismo propriamente dito (há diferença), mas só assim de repente lembro-me de Morrer em Las Vegas, Quando um Homem Ama uma Mulher ou… 28 Dias.

Ok, 28 Dias é um filme amaciado e higienizado sobre alcoolismo, uma espécie de introdução ao tema para totós. Mas ei, não o é também Mais Uma Rodada? Aqui, a alcóolica de serviço é Sandra Bullock, cuja vida é feita de festa em festa, ao lado do namorado (Dominic West), sempre de garrafa na mão (e com drogas recreativas a complementar). Certo dia, depois de ter destruído o bolo de casamento da irmã, arruinado a boda e espetado a limusine contra uma casa, Sandra Bullock dá entrada numa clínica de reabilitação. E o que vem daí já todos sabemos: vai contrariada, começa por participar nas terapias de grupo de forma céptica e, no final, sai decidida a mudar de vida radicalmente. Mesmo que isso implique acabar com Dominic West.

Na clínica de reabilitação, onde todos cantam em demasia, existe um ensemble de actores bem caricaturais, que lhe vão fazer companhia. Destaque para o irritante Alan Tudyk, o irascível Reni Santoni, o pinga-amor Mike O’Malley e a novinha e com problemas de auto-estima Azura Skye. Mais tarde há de surgir Viggo Mortensen, uma estrela dos basebol, e há ainda Steve Buscemi, no papel de conselheiro. Todos eles são apenas bonecos para contribuir para o arco narrativo da personagem de Sandra Bullock até à redenção final, até porque, quando ela sai ao fim do programa de 28 dias, todos eles ainda continuam na clínica(!).

28 Dias não tem assim problemas em sublinhar a traço grosso todas as ideias que quer passar, nem criar terapias de grupo meio duvidosas com intuito dramático (mexer a pata de um cavalo, a sério?). A realizadora Betty Thomas ainda tem a insuportável opção de filmar os flashbacks de Sandra Bullock (as festas regadas a álcool, das quais ela pouco se lembra…) como se fossem vídeos caseiros feitos com uma handycam manhosa – e se calhar até foram. Tudo muito esquecível e tão inofensivo que até podemos comer o Cheeseburger acompanhado com uma cerveja que nem vamos sentir peso na consciência.

Título: 28 Days
Realizador: Betty Thomas
Ano: 2000

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