| CRÍTICAS | Rio Bravo

Rio Bravo é um dos filmes mais fáceis de recomendar a alguém. Primeiro, por ser o que é: um western do mestre Howard Hawks, com um trio de de estrelas constituído por John Wayne, Dean Martin e Ricky Nelson. E segundo, por ter dado origem ao clássico de Carpenter, Assalto À Esquadra 13 (e deixar ainda remeniscências em Cães De Palha).

A premissa de Rio Bravo é simples e sucinta, sem grandes artifícios: o xerife John T. Chance (John Wayne) acaba de prender por assassinato Joe Burdette (Claude Akins), irmão de um dos mais importantes “homem de negócios” do Velho Oeste. Por isso, sabe que até este o vir tentar resgatar é uma questão de tempo. O problema é que a sua ajuda limita-se a um velho coxo, Stumpy (Walter Brennan), um alcóolico com a pior ressaca de sempre de um filme de caubóis, Dude (Dean Martin), e um jovem pistoleiro, Colorado (Ricky Nelson).

Rio Bravo é um western clássico fora do seu género, uma vez que o argumento sai fora das temáticas comuns do nascimento da nação, o confronto com os índios e os laços de sangue e compromissos de honra. Rio Bravo é apenas entretenimento: tiros e cauboiadas. Ou como alguém disse uma vez, kiss kiss bang bang. Howard Hawks filma Rio Bravo como uma panela de pressão, onde o suspense vai crescendo ao longo do filme, mas cuja tensão se vai dissipando aos poucos devido ao optimismo do filme. É aqui que Rio Bravo se insere na métrica dos westerns clássicos; é um western violento à sua maneira, por vezes até algo cheesy, longe da violência gráfica de um western spaghetti. No final das (demasiado longas) duas horas de filme, tudo se resume a um duelo numa casa sitiada, mas que ao contrário de Assalto À Esquadra 13, se realiza de fora para dentro.

Rio Bravo vive dos seus actores. Apesar de ser a personagem com mais destaque na trama, a lenda John Wayne nunca ganha notoriedade de herói, uma vez que o glamour de Dean Martin (especialmente) e Ricky Nelson colocam todos os actores ao mesmo nível. De propósito ou não, o que é certo é que funciona na perfeição, dando um maior realismo áqueles pobres desgraçados que sabem que vão ser atacados e que a única coisa que podem fazer é esperar. Neste conjunto de protagonistas, ainda há lugar para o comic relief do genial Walter Brennan.

Mas o elo mais fraco desta cadeia de protagonistas é a personagem feminina, Plumas (Angie Dickinson). Com o objectivo de não fazer Rio Bravo um filme essencialmente masculino e de lhe dar um toque de romance (o tal optimismo dos westerns clássicos, sempre com espaço para o amor), acaba por ser uma opcção duvidosa (para não dizer falhada), uma vez que o drama pessoal dessa ex-amante de um batoteiro assassinado não convence (ao contrário do problema de alcoolismo de Dean Martin).

Rio Bravo não é só um clássico dos westerns; é, simultaneamente, o melhor western da lenda John Wayne e de Howard Hawks. E como se não bastasse, ainda há possiblidade de assistir a um momento musical de Dean Martin e Ricky Nelson (também naquela altura se tentavam essas manobras de marketing). Digo-vos uma coisa: se Ricky Nelson tivesse cantado, como estava previsto, o tema que Johnny Cash compôs, eu agora não escreveria aqui McBacon.

Título: Bravo
Realizador: Howard Hawks
Ano: 1959

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