| CRÍTICAS | Maligno

Depois de uma pausa para atacar o blockbuster hiperbólico de Hollywood, com um Velocidade Furiosa e um filme de super-heróis para a DC (Aquaman, o desastre que, incompreensivelmente, parece haver muito boa gente que gosta), James Man regressou ao território que gosta e que o ajudaram a colocar nas palminhas da indústria: o do terror. Só que depois de Saws, Insidiosos e Conjurações, chegou a vez de pegar em material original e começar de novo.

O terror de James Wan actualiza o j-horror para os millenials, com os estímulos constantes para que eles se mantenham acordados e engajados o tempo suficiente. É, por isso, um cinema feito de jump scenes constantes, muita criatura e um terror estilizado, que tem que ter bom aspecto em primeiro lugar e só depois fazer sentido. É por isso que Annabelle Wallis, a protagonista de Maligno, vive numa mansão vitoriana com o seu marido abusivo, que é claramente grande a mais para as suas possibilidades. No entanto, nunca ninguém questiona o que é que os dois fazem e como é que conseguem manter aquela mansão. E porquê? Porque a casa dá uns planos muito supimpas, com nevoeiro por trás e luz recortada.

Depois, um dia, alguém invade a casa e mata o marido de Annabelle Wallis, se bem que a porta não apresenta sinais de arrombamento. É o pontapé de saída para uma intriga que envolve uma espécie de criatura de cabelos escorridos muito à j-horror (aliás, até há aqui uma nostalgia pelo VHS que faz lembrar aquele título que todos estamos a pensar), que sabe karaté, muitos blackouts por parte de Wallis, mortes e raptos, um passado de adopção e médicos a desenvolver estudos secretos que parecem estar relacionados com este caso. Há também dois detectives a tentar resolver o caso (George Young e Michole Briana White), mas parece que já não houve tempo para explorar este sub-enredo, ficando-se apenas pelas intenções e algumas ideias avulso que parecem ter caído do céu por não ter unhas (como a médica legista que tem uma crush por George Young e que é completamente inconsequente).

O argumento de Maligno faz tanto sentido quanto um filme sobre um super-herói que consiga voar, mas apenas a um palmo do chão. E, no entanto, James Wan atira-se a ele com tanta convicção que, por momentos, até achamos que o problema é nosso e que perdemos alguma coisa pelo caminho. Mas não, Maligno é apenas um série b que teria tido graça num straight to video com efeitos-especiais analógicos e bonecos de borracha, mas que aqui se enche de protocolo, sisudez e nariz empinado, como se fosse algo muito inteligente. Oh que raio, isto é um filme sobre aquele tipo do Desafio Total, que tem um embrião falante na barriga (olá Kuato), caso ele se tornasse num serial killer. Podia ser um festim alarve de xungaria, mas não, é só um triste Happy Meal.

Título: Malignant
Realizador: James Wan
Ano: 2021

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