| CRÍTICAS | Maniac

Maniac é um filme que, apesar de refazer o slasher de culto homónimo de 1980 (olá Maníaco, como estás?), aposta tudo num gimmick muito especial: o de fazer todo o filme do ponto de vista do serial killer que é o protagonista desta história. É certo que entretanto já vimos isso feito outra vez e até de forma mais ambiciosa (alguém mencionou Hardcore?), mas não deixa de ser sempre interessante um filme filmado como um first person shooter. E, no entanto, na entrada do último acto, o realizador Franck Khalfoun acaba por abandonar o POV do protagonista numa cena para o filmar. E depois repete-o mais um par de vezes. Mas que raios?? Mas se o filme usa esse truque como muleta, ao abandona-lo momentaneamente sem qualquer justificação não faz qualquer sentido. É como um número de circo em que o trapezista cai da corda. Mesmo que volte a subir e termine o número sem cair mais vez nenhuma, o número já está arruinado.  

Não é que isso estrague a experiência de ver Maniac, mas não deixa de ser extremamente enervante. Até lá, Maniac é a história de um serial killer (Elijah Wood, com mais um filme estranho na sua estranha carreira), cheio de traumas de infância acumuladas por ver a mãe a envolver-se com homens em todas as posições e feitios (e que nos é apresentado em flashbacks ao longo de todo o filme), que acaba por ter uma estranha obsessão com manequins. Isso não só lhe retira qualquer tipo de competências sociais, como o leva a falar com os manequins que o restaura e a matar mulheres para lhes tirar o escalpe(!). 

O que é que isso tem a ver? Não muito, mas a verdade é que a coisa até funciona. Manequins são, à sua maneira, um pouco assustadores e, quando filmado da forma certa, algo perturbadores também. E ao filmar as cenas de feminicídio com a câmara subjectiva acaba por aproximar o filme de A Vítima do Medo, mas sem a câmara de filmar como intermediária. É certo que Khalfoun não necessitava de ser tão gore, mas isso é feitio e não defeito. Afinal de contas, é essa a sua escola.

Entretanto, há de entrar na história uma estudante de arte francesa, Anna (Nora Arnezeder), que pertinentemente está a organizar uma exposição de fotografia de manequins e se há de aproximar de Elijah Wood. Por entre muita timidez, ciúme e ameaças de violência doméstica, o filme irá descambar no thriller sanguíneo, prestando ainda tributo ao giallo italiano e ao ambiente urbano estilizado dos anos 80 (tendência que entraria no mainstream à boleia de Drive – Risco Duplo no ano anterior). Não faz esquecer o filme original, mas é um remake suficientemente autónomo, para sobreviver com um McChicken na bagagem.

Título: Maniac
Realizador: Franck Khalfoun
Ano: 2018

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