
Pouca gente sabe, mas o primeiro filme que marcou o regresso de Lindsay Lohan ao cinema depois de ter saído do fundo do caldeirão das drogas foi Among the Shadows, realizado por Tiago Mesquita, um português que tem uma produtora em Bruxelas. Quer dizer, chamar a isso um regresso é um pouco… exagerado, tendo em conta que Lohan se tem limitada a fazer uns cameos e um par de filmes de Natal para a Netflix e a Hallmark.
Um Dia Ainda Mais Doido é, por isso, o seu primeiro grande filme desde… Vale do Pecado(?), em 2013. E, como o próprio título indica, é a sequela de Um Dia de Doidos, que marcou a sua transição de child star para a adolescência. Um Dia de Doidos, que por sua vez é um remake de um daqueles clássicos para toda a família da Disney (As Aventuras de Annabel, com Jodie Foster), juntava então a new it girl, Lindsay Lohan, à antiga scream queen, Jamie Lee Curtis, para uma adaptação mais moderna e jovem da história em que mãe e filha trocam (literalmente) de corpo e passam a entenderem-se melhor mutuamente. Walk a mile in my shoes, dizem os estrangeiros…
Como na maioria das sequelas, Um Dia Ainda Mais Doido é uma variação da história original, mas apenas maior, mais barulhento e com mais luzes a piscar. E, neste caso, mais jovem também. Mas jovem como naquele meme do How Do You Do, Fellow Kids?, do Steve Buscemi. Um Dia Ainda Mais Doido quer passar-se por ser todo modernaço e falar como a criançada, para apelar ao público mais jovem, mas acaba por passar apenas um imagem de vergonha alheia, porque não sabe claramente o que está a fazer.
Em Um Dia Ainda Mais Doido, não só Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis vão voltar de corpo, como desta vez a maldição se estende também à filha (Julia Butters) e à enteada (Sophia Hammons) da primeira (sim, já passaram 22 anos desde que estreou Um Dia de Doidos, podem começar a sentirem-se velhos). A coisa é de tal modo confusa que demora até nos habituarmos a perceber quem é quem e temos que estar constantemente a parar para pensar em quem é que aquela personagem encarnou. De tal forma que, a partir de determinado momento, simplesmente desistimos, até porque percebemos que isso não interessa para nada, já que o filme se desenrola de forma tão genérica que não interessa quem é quem.
Lindsay Lohan parece querer levar o filme a sério, mas não há aqui propriamente nada de memorável. Até Jamie Lee Curtis, que parece estar aqui só para se divertir, é particularmente irritante no papel da avó cool, mas demasiado protectora. A realizadora Nisha Ganatra procura montar as coisas de forma suficientemente funcional para os gags mais divertidos (uma corrida de trotinetes eléctricas, por exemplo), mas até estes falham constantemente o timing certo. Por isso, há muito pouco para ver neste Happy Meal além do reencontro de Lohan e Jamie Lee Curtis.

Título: Freakier Friday
Realizador: Nisha Ganatra
Ano: 2025
