| CRÍTICAS | Bullet Train – Comboio Bala

Abra a liquidificadora e junte os seguintes ingredientes:
– a violência estilizada de Quentin Tarantino (mas retire toda a cinefilia em excesso, que possa estar ainda agarrada);
– os diálogos espirituosos em situações de alts tensão de Guy Ritchie;
– meio quilo de anime;
– outro meio quilo de banda-desenhada.

A receita é simples, o que quer dizer que o truque está na confecção. Aliás, basta ver a quantidade de filmes destes que estreiam regularmente – action flicks altamente estilizados, com personagens bizarras e sequências de porrada extremamente elaboradas. Este ano até se está a falar de um filme assim para os Oscares (olá Apanhado a Roubar).

Já li livros de banda-desenhada que se parecem menos com um livro de banda-desenhada do que Bullet Train – Comboio Bala (que, apesar de adaptar um livro, não é de banda-desenhada). E nem sequer é por ter longas sequências filmadas sob fundo verde e outras construídas totalmente em CGI. É mesmo pelo cartunesco das situações e das personagens, que aproximam sempre mais o filme do niilismo dos Looney Tunes do que dos sub-géneros (o western, as pulps, os kung fu flicks…) em que aparentemente se influencia.

Bullet Train – Comboio Bala enche então uma comboio a alta velocidade que atravessa o Japão de bandidagem internacional, esquisita e com nomes estranhos (Hudson Hawk – o Falcão Ataca de Novo tem aqui fiel descendência). Todos eles têm a sua própria missão, mas por diferentes contingências todas se vão entrelaçar. Destaque para Brad Pitt, que é aquilo que mais se aproxima de um protagonista, ao interromper as suas sessões zen de terapia para ir roubar uma mala cheia de dinheiro; para os gémeos Aaron Taylor-Johnson e Brian Tyree Henry, com sotaques britânicos e metáforas sobre Thomas e os Seus Amigos; e para Bad Bunny, que se estreia na representação.

Com humor negro e muitas situações de porrada em apertados espaços, Bullet Train – Comboio Bala vai aumentando a violência e a acção até ao banho de sangue final, em que tenta resolver toda a embrulhada pela destruição massiva. No final, o Cheeseburger é mais ao menos como o próprio filme: um descarrilamento de comboio difícil de ver, mas para o qual ninguém vai conseguir deixar de olhar.

Título: Bullet Train
Realizador: David Leitch
Ano: 2022

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