
Existem muitos filmes sobre violação e sobre as suas sobreviventes, mas que, na maioria das vezes, cai no paternalismo ou no moralismo de pacotilha. Sorry, Baby é a prova de que é possível fazer um filme sobre o tema sem cair no excesso de didactismo e sem perder valor cinematográfico.
Sorry, Baby é a história de uma jovem professora de Literatura (Eva Victor, que também ocupa a cadeira de realizadora), dividida em vários momentos temporais da sua vida, mas marcada por um momento traumático quando estava a terminar o doutoramento. O filme começa com Eva Victor a receber Naomi Ackie, a sua melhor amiga, para passar uns dias em sua casa e matarem saudades, revelando estar grávida. Depois recuamos no tempo, até à altura em que aconteceu a “coisa má” – para parafrasear a própria -, avançando até à atualidade, quando o bebé já nasceu.

Essas várias fases temporais permitem-nos perceber como a “coisa má” afectou a vida de Sorry, Baby ao longo do tempo: nas suas relações pessoais, na sua capacidade de sociabilização ou até na sua vida profissional. E também como influenciou as pessoas à sua volta.
Apesar do tema duro, Eva Victor nunca abandona o humor, numa certa toada agri-doce. Afinal, o humor é uma arma de defesa muito utilizada como escudo ou carapaça perante a adversidade. A gramática de Sorry, Baby é a de um certo cinema indie que ganhou visibilidade no início deste século, de gente como Miranda July ou mesmo Greta Gerwig. Sorry, Baby fala de coisas sérias sem ser de forma pesadona e com grande respeito pelas sobreviventes de ataques sexuais. Só por isso, merece logo por inteiro o McBacon.

Título: Sorry, Baby
Realizador: Eva Victor
Ano: 2025
