
Tornado tem sido descrito como o filme que seria o favorito de Quentin Tarantino em 2025. É um rótulo um pouco preguiçoso, mas percebe-se o porquê. Afinal, Tornado tem vários elementos que marcam o corpo de obra do autor de Pulp Fiction: cáubois, samurais, violência estilizada, Tim Roth…
Mas esperem lá! Cáubis e samurais? No mesmo filme? Como assim?, pensam vocês, pensando imediatamente no Shangai Noon. Nada a ver. Tornado passa-se nas ilhas britânicas no final do século XIX, onde a filha de um samurai que gere um espectáculo de marionetes ambulante é perseguida por um grupo de bandidos violentos, depois de lhes roubar uns sacos cheios de ouro.

Esse é um dos principais trunfos do filme. O realizador John Maclean arranja forma de cozer tudo com a mesma linha, com uma fotografia outonal das Terras Altas escocesas, criado aqui um exercício de género muito interessante, que é também um bombom para os olhos.
Uma década depois de A Caminho do Oeste, esse western reflexivo e… lento (o título original não era um trocadilho inocente), John Maclean volta a dar sinais de vida. E identificamos em Tornado as mesmas marcas desse cinema, se bem que aqui vem enformado no filme de vingança clássico. Isso significa que vai haver violência e é aqui que vamos encontra toda a influência do filme de samurais. Os jactos de sangue são pequenas explosões de cor, muito gráficas mas ao mesmo tempo muito contidas, que fazem lembrar as experiências de Takeshi Kitano ou o cinema de gente menos lembrada, como O Guerreiro, de Asif Kapadia.
Tornado é assim um dos bons McBacons de 2025, especialmente para quem gosta de um cinema de acção mais reflexivo ou de… Quentin Tarantino. Falta agora saber qual a sua opinião sobre isto.

Título: Tornado
Realizador: John Maclean
Ano: 2025
