| CRÍTICA | Balada de um Pequeno Jogador

O bacará é, de longe, o mais parvo de todos os jogos de casino. Bem mais do que a banca francesa, esse jogo exclusivamente português (e de Badajoz) em que um tipo lana incessantemente 3 dados. As regras do bacará são tão aleatórias que parecem que foram inventadas por duas crianças à medida que o iam jogando pela primeira vez. 

E, no entanto, é também aquele em que as probabilidades são as mais altas para o jogador. Talvez por isso é um dos mais populares junto da comunidade chinesa. Basta entrarem no Casino de Lisboa e seguir a aglomeração com mais pessoas e mais ruidosa.

Balada de um Pequeno Jogador, filme sobre um jogador de bacará (Collin Ferrel), ambienta-se em Macau e essa é provavelmente a sua principal vitória. E isso leva-nos a uma pertinente questão: porque não há mais filmes em Macau? Essa é a verdadeira cidade do pecada e dá 15 a zero a Las Vegas, com toda a sua artificialidade que esconde crime, adição, lavagem de dinheiro e outras coisas menos recomendáveis.

O realizador Edward Berger, um dos queridinhos da Netflix (A Oeste Nada de Novo valeu 4 Oscares à plataforma), chama-lhe um figo, já que este é assumidamente um trabalho de esteta. O cinema de Berger é maximalista e prende-se em todas as luzes de Macau A cidade assume-se ela própria como uma personagem de pleno direito em Balada de um Pequeno Jogador, mas depois Edward Berger não tem propriamente nada para ela dizer. Já acontecia algo semelhante a Nicolas Winding Refn em Banguecoque, em Só Deus Perdoa.

Colin Ferrell é então um pequeno burlão, que se esconde atrás de um título falso de conde, mas que está enterrado em dívidas até ao pescoço. No entanto, como em qualquer agarrado ao jogo, acredita piamente que isso é apenas uma questão de tempo, porque as estatísticas dizem que a maré de azar há de mudar. O pior é que, com os credores a amontoarem-se à sua porta, Ferrell não parece ter muito tempo (ou dinheiro sequer) para continuar nesse ritmo.

Depois, Colin Ferrel conhece Fala Chen, uma agiota com problemas existenciais suficiente, e ambos vão embarcar numa viagem de redenção pessoal, mas sem redenção propriamente dita. Edward Berger confunde isso com final feliz e Balada de um Pequeno Jogador, enquanto reflexão sobre a condição humana, perde-se um pouco, por trás de todas as distrações de Macau. De início, Balada de um Pequeno Jogador prometia muito mais do que o Double Chereseburger final.

Título: Ballad of a Small Player
Realizador: Edward Berger
Ano: 2025

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