
Todos sabemos mais ou menos o que é o síndrome de Tourette: uma condição neurológica que faz com que a pessoa tenha tiques nervosos e vocalizemos uns impropérios que não consegue controlar. Os mais atentos até são capazes de se lembrar de um guarda-redes no Manchester United que sofria de Tourette. E possivelmente até há aqui malta que já viu um reality show que acompanha malta com esse síndrome.
Mas, na verdade, o que sabemos mesmo sobre o síndrome de Tourette? Aliás, quantas pessoas conhecemos pessoalmente que sofram desta condição neurológica? I Swear é o biopic sobre John Davidson (óptima interpretação de Robert Aramayo, com todos os maneirismos), activista escocês que tem passado as últimas décadas a sensibilizar para esta doença que não tem cura. Afinal de contas, Davidson cresceu num lugarejo escocês no final dos anos 70, típico produto da working class britânica, onde ainda pouco ou nada se sabia sobre o síndrome de Tourette e quando ainda nem sequer havia consenso científico sobre se deveria ser considerada uma doença ou não.

Por isso, John Davidson (e agora o seu filme biográfico) permite humanizar quem sofre de Tourette, dando-lhes mais dimensão do que a simples graçola de ver alguém a dizer umas caralhadas incontroláveis, inclusive nos momentos inconvenientes. Claro que isso também existe em I Swear, incluindo logo a cena de abertura, em que Davidson está a ser agraciado pela Rainha de Inglaterra pelos seus préstimos nessa área e atira um bem alto fuck the queen. Nem sequer os Sex Pistols se atreveram a tal.
I Swear é o típico biopic sobre personalidades que pretende homenagear, com o seu quinhão de manipulador assumido para nos fazer identificar, sofrer e torcer pelo seu sucesso. É 100 por cento didático, acabando por amaciar as partes mais duras, incluindo a relação complicada com a mãe (interpretada por Shirley Henderson, também num óptimo registo), que nunca soube como lidar com a doença do filho e que o pôs a comer as refeições virado para a lareira durante anos a fio, para que ele não lhe cuspisse para o prato.
Não é um mau filme, tem a sua importância pela mensagem que passa, mas falta a I Swear mais cinema para ser outra coisa. Mesmo assim, é um Cheeseburger para se ver sem enfado, daquelas histórias da vida embrulhadas num pacote feelgood e inspirador.

Título: I Swear
Realizador: Kirk Jones
Ano: 2025
