| CRÍTICAS | Paris Pode Esperar

É, provavelmente, a família do cinema mais numerosa e célebre. Não, não estou a falar dos Baldwin, apesar de Alec também entrar em Paris Pode Esperar. Falo dos Coppola. Ora vejamos: Francis Ford, possivelmente o mais conhecido, dispensa apresentações; a sua filha, Sofia, além dos vários prémios em carteira (incluindo um Razzie) foi a segunda mulher a ganhar em Cannes o galardão de melhor realizadora; Nicolas Cage, o sobrinho, é o rei dos bons maus filmes; e ainda há Roman, o outro filho, ou Jason Schwartzman, outro dos sobrinho. Só faltava mesmo Eleanor, a sua esposa, dar um ar da sua graças.

No entanto, esta não é a primeira vez que ouvimos falar de Eleanor Coppola. A esposa de Francis Ford fora uma das realizadoras do documentário Corações das Trevas, uma espécie de making of de Apocalipse Now. Mas Paris Pode Esperar é a primeira vez que experimenta a ficção. E tudo isso é ainda mais fascinante ao nos apercebermos que conta já com mais de 80 anos.

O que faz então uma octogenária estrear-se na realização de um filme? É, portanto, impossível olhar para Paris Pode Esperar e não encontrar algumas referências autobiográficas, na história da esposa de um produtor de Hollywood (Diane Lane, cada vez mais nova), que enquanto o marido (Alec Baldwin) vai a Budapeste tratar de negócios, aceita a boleia de um dos seus sócios (Arnaud Viard, que não convence propriamente) para ir directamente até Paris. Baldwin é um homem demasiado ocupado para prestar atenção à sua mulher e ela vai sentir-se confusa durante a road trip com aquele francês bon vivant, fumador inveterado, amante de comida e mulheres e romântico nato, mas não trôpego. Além de uns pormenores mais ou menos biográficos, Eleanor Coppola ensaia mesmo umas meta-referências, como quando pára no museu do Cinema dos irmãos Lumiére ou quando mete a tocar o CD daqueles franceses que viu ao vivo e que são muito bons, os Phoenix (e que, por acaso, o seu vocalista é seu genro).

Esse jogo de espelhos, às vezes mais óbvio que outras ou mais ou menos voluntário, é mesmo o mais Paris Pode Esperar, um road movie pela França fora, onde a comida – muita comida – acaba por resultar como metáfora para muita coisa. Eleanor Coppola não se atrapalha por trás da câmara, mas, no geral, Paris Pode Esperar é apenas um filme simpático, que estaria condenado aos domingos à tarde se não fosse assinado por quem é. Quer dizer, agora que penso nisso, está condenado aos domingos à tarde de qualquer maneira. Daqui é que leva um Cheeseburger extra pela tal curiosidade meta-referencial que falámos acima.Título: Paris Can Wait
Realizador: Eleanor Coppola
Ano: 2016

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