| CRÍTICAS | Hudson Hawk – O Falcão Ataca de Novo

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Antes de haver O Código Da Vinci havia Hudson Hawk – O Falcão Ataca De Novo, mas ninguém parece lembrar-se disso. Quando estreou, o filme levou tanta porrada que toda a gente parece tê-lo apagado da memória (incluindo os actores que participam nele). Hudson Hawk – O Falcão Ataca De Novo é um dos filmes mais incompreendidos de sempre, por não se parecer com mais nada. Talvez se assemelhe um poucachicho com O Último Grande Herói, outro filme incompreendido, com um actor de acção a fazer um spoof a um género muito específico.

Filmes incompreendidos são, portanto, filmes em que a maioria das pessoas são demasiadas burras para entender. Por isso, a melhor forma de os definir é dizer que são filmes que parecem uma coisa por fora, mas depois o pessoal vai a ver e são outra completamente diferente por dentro, arruinando todas as expectativas. Hudson Hawk – O Falcão Ataca De Novo parecia ser mais um filme de acção à medida do durão Bruce Willis, após os sucessos de Assalto Ao Arranha-Céus ou A Fúria Do Último Escuteiro, mas que acaba por ser uma comédia e uma paródia aos heist movies.

Bruce Willis, ou melhor, Hudson Hawk, é um ladrão daqueles dos bons velhos tempos – os dos film-noir, de falinhas mansas, que cantarola standards do Bing Crosby e usa smoking impecável – que é envolvido num esquema gigante para roubar uma antiga invenção de Leonardo Da Vinci. Falamos de uma máquina que transforma o chumbo em ouro e que, portanto, envolve muita gente importante: a CIA, o Vaticano, a máfia e um casal de ricaços extravagantes.

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Temos então um heist movie feito à medida de um James Bond, com um itinerário internacional, que os vai levar a Roma. Tudo normal até aqui, certo? Errado, porque o realizador Michael Lehmann embruha tudo isto com humor slapstick (olá irmãos Groucho), piadas absurdas e uma certa ingenuidade que não se percebe muito bem até onde é que é propositada. Os agentes da CIA têm então nomes de código de chocolates, os crucifixos no Vaticano são intecomunicadores secretos e os mafiosos são da família Mário.

Há ainda uma freira misteriosa (Andie MacDowell) que vai introduzir uma química screwball, tentando emular o sucesso da dupla Michael Douglas/Kathleen Turner, no díptico Em Busca Da Esmeralda Perdida e A Jóia Do Nilo. Tudo isto resulta, obviamente, numa salgalhada pouco coerente, mas que entretém como poucos. Tão mau que se torna bom? Pode ser, mas são mais as virtudes do que as falhas. E a cena em que Bruce Willis e Danny Aiello roubam uma peça de Da Vinci enquanto cantam o Swinging On A Star para cronometrarem o tempo que têm vale por si só o McChicken.mcchickenTítulo: Hudson Hawk
Realizador: Michael Lehmann
Ano: 1991

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