| CRÍTICAS | Rambo II: A Vingança do Herói

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Depois do sucesso de Rambo: A Fúria Do Herói, era inevitável uma sequela para rentabilizar o novo herói de Sylvester Stallone depois do boxeur underdog Rocky Balboa. E, como seria de esperar, Hollywood apostou tudo na vertente destruidora de Rambo, até porque, admita-se, não pareceria muito bem fazer outro filme sobre um tipo a tentar matar polícias.

No arranque desta sequela, encontramos então John Rambo preso, entregue aos trabalhos forçados da cárcere. O seu único amigo, o Coronel Trautman (Richard Crenna), vai visita-lo com uma proposta indecente: aceitar uma última missão e receber um perdão presidencial. Rambo diz que sim sem ter que pensar muito no assunto e, assim, vemo-lo de volta ao local do crime, leia-se Vietname, desta vez para procurar prisioneiros de guerra, que toda a gente sabe que existem, mas ninguém tem provas.

Existe um subargumento neste Rambo II: A Vingança do Herói que também já havia em Rambo: A Fúria Do Herói, mas que aqui é ligeiramente mais explícito, que é o confronto entre a guerra do Vietname e a da Coreia. Enquanto que no primeiro o xerife era um ex-combatente da Coreia, que tinha recalcado o facto de toda a gente se lembrar do Vietname e aparentemente se ter esquecido de quem serviu na frente coreana, aqui há um oficial com uma agenda escondida, porque “esta guerra não é dele, ele só está aqui para limpar a merda”. Isto significa que Rambo vai ser atraiçoado pelos seus, da mesma forma que o país lhe virou as costas em Rambo: A Fúria Do Herói, e vai ter que se ver a contas sozinho contra todos os vietcongues e alguns russos.

Quer dizer, sozinho não, porque por momentos Rambo tem a ajuda duma agente vietnamita, que se torna no único interesse romântico do herói durante os quatro filmes da série. Vêem-se durante uns minutos, dizem meia-dúzia de linhas e trocam juras de amor eterno, antes de ela ser fuzilada cruelmente numa cena extremamente violenta. Aliás, esta cena marca a viragem definitiva de Rambo em action hero. Até aqui ainda vai havendo uma tentativa de manter a aura de herói atormentado pela desumanização da guerra, mas depois deste episódio tudo o resto vai às urtigas e começa a palhaçada.

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Esqueçam o realismo do survivor movie de Rambo: A Fúria Do HeróiRambo II: A Vingança do Herói começa a explorar todos os clichés que a série iria exagerar até ao limite no episódio seguinte: as armas com munição infinita; um Rambo com pontaria certeira apesar de sacudir mais a arma do que a pila depois de mijar, enquanto que os inimigos não acertam uma, mesmo quando estão a dois palmos de distância; ou um arco cujas flechas nascem por magia do chão. Aliás, enquanto que no primeiro filme Rambo fizera da faca de mato a sua imagem de marca, aqui é o arco e flecha a reinarem, décadas antes de Daryl, em The Walking Dead (e com flechas explosivas, uma invenção genial).

Rambo II: A Vingança do Herói é o episódio de transição perfeito entre Rambo: A Fúria Do Herói e o por vir Rambo III. Com argumento assinado a duas mãos pelo próprio Stallone e um então desconhecido James Cameron, o filme é metade herói atormentado pela guerra-metade filme de acção desmiolado, que termina com um duelo de helicópteros(!), vejam bem. Um desequilíbrio que se vê bem, mas que sabe a Double Cheeseburger.double-cheeseTítulo: Rambo: First Blood Part II
Realizador: George P. Cosmatos
Ano: 1985

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