| CRÍTICAS | Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos

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É incontestável que filmes adaptados de jogos de computador não são propriamente coisa que faça muita água na boca. Por mais gamers que sejam, não há muita forma de o contestar. E para os que estão a pensar em o fazer, tenho apenas duas palavrinhas para vocês: Uwe Boll. Portanto, um filme do Warcraft não era algo que me suscitasse grande fascínio.

No entanto, há nesta adaptação um pequeno sinal de que Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos poderia muito bem ser a excepção que confirma a regra. Falo, obviamente, do nome do realizador. É que Duncan Jones, além de ser filho de David Bowie (o que lhe terá de garantir um ou dois genes de bom gosto, de certeza), é o autor daquele filme de culto de ficção-científica que é Moon – O Outro Lado da Lua. E se virmos como correu bem a última vez que um realizador independente saltou para o blockbuster de Hollywood (olá James Gunn, olá Guardiões da Galáxia), talvez Warcraft mereça pelo menos o benefício da dúvida.

Não é necessário conhecer o jogo para percebermos o filme. Até porque já vimos esta história contada ene vezes. Há uma raça de seres grandes e malvados, os orcs, que chegam ao mundo dos humanos por um portal dimensional para os conquistar, escravizar e, no fim, matar. Tudo por causa duma magia maligna, chamada Força Vil. Tudo isto embrulhado num ambiente sword and fantasy, tentando aproveitar o crédito acumulado de O Senhor dos Anéis e A Guerra dos Tronos.

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Parecia estar tudo alinhavado para mais uma estopada de efeitos CGI à barda, até porque o Guardião – o mago mais poderoso dos humanos – parece o David Guetta. E coisa mais azeiteira que o David Guetta é difícil de imaginar. Contudo, o tempo vai passando e damos por nós a prestar realmente atenção a Warcraft. As personagens não são meros bonecos funcionais e, apesar de serem arquétipos, têm espessura suficiente para nos preocupar-nos com eles. Há ainda um tom bíblico na histórica, com muita culpa judia e redenção na agenda (e a emulação messiânica da vida de Moisés, que lança os pozinhos para a inevitável sequela), que lhe dá um toque especial e um ar de soap opera, que lembra Guerra das Estrelas (mas com diálogos melhores). E depois há um par de batalhas memoráveis (lembram-se da de O Regresso do Rei?), de dimensão monumental, que prezam verdadeiramente o cinema em vez daquela montagem epiléptica que agora é imagem de marca de tudo o que é blockbuster.

São vários os méritos de Warcraft. É, provavelmente, o primeira grande filme que adapta um jogo de computador (vamos lá ver o que faz o Tetris); não desbarata o crédito dos sword and fantasy, inserindo-se naquela nobre linhagem que tem o Conan e os Bárbaros ou o Willow na Terra da Magia; e recupera a space opera de mérito, um sub-género que tem sido tão mal tratado ultimamente (alguém mencionou Ascensão de Júpiter?). Está lançada a série e se mantiver o nível deste McRoyal Deluxe, então temos sólidas razões para ficarmos entusiasmados.mcroyal-deluxeTítulo: Warcraft
Realizador: Duncan Jones
Ano: 2016

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