| CRÍTICAS | Capitão América: Guerra Civil

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A cena fixe dos dois primeiros filmes do Capitão América é que não pareciam propriamente super-heroes movies. O primeira era um filme de guerra, que só pecava por ser pouco sujo e muito arrumadinho, e o segundo era um filme de espiões muito Missão: Impossível circa Brian de Palma. Agora, ao terceiro tomo, Capitão América: Guerra Civil aborda pela primeira vez a sua condição de filme de super-heróis.

Foi especialmente a partir de Watchmen, o livro, que a banda-desenhada começou a reflectir sobre si própria: os super-heróis tomavam consciência da sua condição humana, despindo o facto nietzschiano. E os melhores super-heroes movies também têm tido essa faceta meta-referencial (alguém mencionou a trilogia do Batman de Cristopher Nolan?). Mas ultimamente, os super-heróis voltaram a debruçar-se sobre o seu próprio tempo e, portanto, o terrorismo, a paranóia e a segurança interna voltaram à agenda do dia.

Capitão América: Guerra Civil parte desses temas – assim como também o fez o recente Batman vs Super-Homem: O Despertar da Justiça, reflectindo sobre a “ameaça” dos sobre-humanos para a segurança do mundo – para colocar os heróis uns contra os outros. De um lado da barricada está o grupo liderado pelo Capitão América (Chris Evans), guardião dos valores e morais americanos, enquanto que do outro está o Homem-de-Ferro (Robert Downey Jr), improváveis inimigos num filme em que o Barão Zemo (Daniel Bruhl) não chega a ser um vilão verdadeiramente digno desse nome.

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Isso serve de pretexto para ensaiar um crossover de grandes proporções, ainda maior que o de Os Vingadores. Assim, além dos habituais Falcão (novamente Anthony Mackie com uma estranha química homo-erótica com Chris Evans) ou dos colegas Vingadores, Viúva Negra (Scarlett Johansson) ou Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) – há mais, muitos mais -, Capitão América: Guerra Civil convoca o Homem-Formiga (Paul Rudd que, tal como no seu próprio filme, também tem aqui, de forma inesperada, um grande momento), o muito promissor Pantera Negra (Chadwick Boseman, a antecipar um dos filmes de super-heróis mais aguardados dos tempos próximos) e, claro, a grande atracção deste volume: o Homem-Aranha. Tom Holland é o novo Aracnídeo favorito do planeta e dá aqui o pontapé de saída para a nova série de filmes do Homem-Aranha, deixando água na boca.

Capitão América: Guerra Civil tem assim um pretexto sólido para colocar os heróis divididos e uns contra os outros. E depois ainda lhe sobra tempo suficiente para o que realmente interessa num filme como este: bordoada da grossa! E apesar de uma edição por vezes demasiado trapalhona, as lutas são suficientemente interessantes para justificar o McRoyal Deluxe. Só é mesmo o Barão Zemo ser um vilão tão frouxinho…mcroyal-deluxeTítulo: Captain America: Civi War
Realizador: Anthony & Joe Russo
Ano: 2016

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