| CRÍTICAS | 300 Miles

3000

300 milhas são cerca de 480 quilómetros, que é mais coisa menos coisa o mesmo que ir de Setúbal a Braga de carro. Uma distância que se faz em pouco mais de 4 horas, ou seja, numa tarde depois de almoço, com paragem em Fátima para esticar as pernas e fazer xixi. No entanto, num país em guerra, em que há scuds, atiradores furtivos e bombardeamentos pelo meio, essa distância torna-se infinitamente incomensurável. E é essa a distância que separa o realizador de 300 Miles, Orwa Al Mokdad, da sua família, na Síria.

300 Miles reflecte sobre esse conceito de distância num país mergulhado em guerra há mais de 4 anos, que já nos habituámos a ver na televisão, como se fosse algo natural. O documentário assume uma espécie de forma de troca de correspondência entre Orwa Al Mokdad e a sua sobrinha, através de pequenos fragmentos de imagens rarefeitas no meio dos tiroteios em Alepo, mensagens via skype ou entrevistas breves aos combatentes, que se assumem desanimados com o caminho que a revolução tomou no seu país.

É um cinema de urgência, quase angustiador, da guerra da Síria vista por dentro. Literalmente! E que serve para nos abanar do entorpecimento que os quatro anos de guerra vista pela televisão nos tem provocado. Por isso, o prémio para melhor primeira obra que o Doclisboa deste ano lhe atribui, mais do que um gesto cinematográfico, é um gesto político. Um e outro podem ser compatíveis, obviamente, se bem que aqui chocam um pouco de frente com o Double Cheeseburger.double-cheeseTítulo: 300 Miles
Realizador: Orwa Al Mokdad
Ano: 2016

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