| CRÍTICAS | X-Men – Dias de um Futuro Esquecido

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Os X-Men, o grupo mais famoso de mutantes da Marvel, tem tido uma das mais estáveis séries do universo dos filmes de super-heróis. Basta ver como os actores se vão mantendo intocáveis desde o primeiro episódio, sendo Hugh Jackman, inclusive, o tipo que mais vezes fez do mesmo super-herói (contando, claro, com os spin-offs do seu Wolverine). Os X-Men já tiveram então vários filmes, uns simpáticos, outros mais ou menos e os restantes relativamente maus.

Depois de X-Men – O Início, episódio mais ou menos lúdico da série, em que se regressava atrás no tempo numa espécie de prequela, é tempo de X-Men – Dias de um Futuro Esquecido viajar até ao futuro. É lá que encontramos os mutantes em cenário pós-apocalíptico, numa guerra praticamente condenada ao fracasso contra uns robôs todo-poderosos chamados Sentinelas. Surgem então Patrick Stewart e Ian McKellen (o Professor X e Magneto, respectivamente), que têm um plano engenhoso: enviar o Wolverine ao passado, impedir a morte do criador dos Sentinelas (Peter Dinklage finalmente a não fazer de anão) e, assim, evitar que o Governo norte-americano invista nesse programa de exterminação de mutantes.

Ou seja, o futuro foi lá atrás e aqui vamos nós de novo para o passado, numa opção narrativa que tão bom resultado deu no filme antecessor. Reencontramos assim James McAvoy e Michael Fassbender na pele do Professor  e do Magneto jovens, desta vez na década de 70, onde anda também um jovem Besta e um jovem Mercúrio (Evan Peters que rouba completamente o filme nos poucos minutos que entra, numa invasão espectacular ao Pentágono). E há ainda Jennifer Lawrence, na pele da transmorfa Mística, que assume o papel de vilã da contenda.

X-Men – Dias de um Futuro Esquecido não tem o mesmo carácter escapista que tinha X-Men – O Início, até porque tem Bryan Singer de volta à cadeira de realizador. E ter Singer é o mesmo que dizer que volta a haver aqui mutantes atormentados e ameaça de discriminação no ar, que pode ser lido como uma alegoria à xenofobia e ao racismo dos nossos tempos (o Trump o quê?). Há, portanto, várias realidade temporais e dezenas de personagens, mas Singer consegue ter habilidade suficiente para ir dando tempo de antena suficiente mais ou menos a todos, mesmo que Wolverine acabe sempre por se assumir como estrela principal, até porque é ele o elo de ligação entre o passado e o futuro.

Já todos vimos e estamos fartos de ver filmes sobre viagens no tempo e, por isso, chateia um pouco essa parte em X-Men – Dias de um Futuro Esquecido. É que toda a gente sabe que, quando se mexe num evento passado, vamos estar a alterar o futuro num efeito-borboleta de alcance imprevisível. Portanto, há que evitar interferências de maior e isso não é  nada fácil. Basta ver o Primer para entender a dimensão dessa contenda. No entanto, Wolverine não quer saber nada disso e anda pelo filme todo a contar coisas do futuro aos seus colegas, como se fosse  mais natural do mundo a fazer.

No final, a coisa remata de forma a atar todas as pontas soltas, numa espécie de Exterminador Implacável 2 com mutantes. Singer ensaia a sua habitual crise existencial, lança-se a base para uma possível aventura dos X-Men no futuro e ficamos todos a aguardar pelo próximo capítulo, depois deste McChicken bem competente. E, às tantas, vemos que anda por lá Halle Berry, no papel da Tempestade, e quase que nos assustamos com a irrelevância em que a actriz caiu em tão pouco tempo: um Oscar, o ugar no topo de actriz mais procurada em Hollywood, uma Catwoman má como as cobras, um Razzie e o esquecimento quase total. Aposto que quando ela apareceu no set de X-Men – Dias de um Futuro Esquecido, os actores mais novos se interrogaram quem era aquela tipa.

mcchickenTítulo: X-Men: Days of Future Past
Realizador: Bryan Singer
Ano: 2014

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