| CRÍTICAS | Matança de Natal

Nesta quadra natalícia, se começarmos a pensar nos filmes sobre a natividade, não conseguimos contornar um dos títulos mais sugestivos – Matança De Natal. Numa época como a nossa em que o Natal se confunde com a palavra consumismo e em que o seu maior símbolo é uma criação da Coca-Cola, estas palavras soam como música aos nossos ouvidos.

Se o título já é motivo suficiente para lhe dar uma oportunidade, então o breve prólogo que antecede os créditos inicias apenas servem para confirmar a escolha acertada: num típico lar americano, uma hipócrita família (com cameos da Nanny e de James “Santino” Cann) prepara-se para a ceia de Natal. Eis que surge pela chaminé a simpática figura do Pai Natal. E depois de enfiar um biqueiro no caniche irritante e de empalar o pai na mesa do jantar, assiste-se a uma carnificina total.

Então vejamos o que temos até aqui: o título Matança De Natal e o Pai Natal a esventrar pessoas indiscriminadamente como se não houvesse amanhã. Como se fosse necessário mais alguma coisa para o Royale With Cheese. Mas realmente ainda havia mais um pormenor, uma coisinha chata que o realizador David Steiman chamou de argumento.

Com efeito, o que não sabíamos é que o Pai Natal é um demónio, filho do próprio Diabo (Satan, Santa… anyone?) por concepção divina. Há mil anos atrás houve um arcanjo que desceu à terra mascarado de homem e que desafiou o demónio para uma jogatana de curling(!). Claro que o bem vence sempre o mal e o Pai Natal ficou condenado a distribuir presentes e alegria durante mil anos. E agora adivinhem quando acabam esses mil anos. Exactamente. And it’s payback time!

Depois parece que há lá pelo meio um adolescente (Douglas Smith), a sua potencial futura namorada (Emilie de Ravin) e o avô cientista maluco (Robert Culp) que vão pôr cobro à matança. Mas nada disso interessa, porque por essa altura já estamos entusiasmados a ver a estrela do wrestling, Goldberg, a esventrar, empalar, electrocutar e mutilar tudo o que respire. Sempre vestido de vermelho e montado num trenó puxado por um búfalo de nariz vermelho. Oh, oh, oh!

Verdadeira pérola de série Z, Matança De Natal é uma divertida e brainless matança do porco, com um humor negro que ataca todo o consumismo inerente à época de Natal, que tem vindo a corromper o espírito da época gradualmente. Para isso, destrói todos os símbolos da festa, sejam eles cristãos ou judeus. Matança De Natal é um verdadeiro festim gore, em que a figura do Pai Natal é elevada à categoria de monstro perseguidor, um Jason Vorhees ou um Mike Myers. E depois há uma fantástica reconstituição animada em stop motion, que relata o tal jogo de curling.

Qual é o problema de Matança De Natal? Não, não é a história “enche-chouriços”. É antes a falta de humor mais apurado e algumas one-liners para Goldberg, que além do Who’s your daddy? Father Christmas, tem poucos momentos auditivos interessantes. Mesmo assim, o McChicken não é um mero acaso. Mas é apenas para os cinéfilos com a mente distorcida como este escriba.Título: Santa’s Slay
Realizador: David Steiman
Ano: 2005

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