| CRÍTICAS | O Lado Obscuro da Lua

Urs (Moritz Bleibtreu) é um advogado num grande grupo farmacêutico, especialista em fusões mais ou menos hostis. O seu sucesso reflecte-se no seu estilo de vida, feito de fatos de alta costura, carros de ata cilindrada e casas minimalistas e modernistas. Tivesse uns fetiches sado-maso e Urs podia muito bem ser o Grey, daquela saga que vocês sabem do que estou falar.

Depois de uma fusão de sucesso com outro grupo farmacêutico, o antigo administrador desse grupo suicida-se em frente a Urs, levando-o a questionar o que anda a fazer da sua carreira e os objectivos da sua vida. Urs perde-se na floresta, reencontra um certo prazer telúrico pela natureza e conhece uma hippie numa feira da ladra com uma t-shirt dos Pink Floyd (estão a ver o trocadilho o título, o lado obscuro da lua?). Podia ser pior, se Urs descobrisse o Eddie Vedder a tocar ukelele ainda ia armar-se também em Henry David Thoreau.

Lucille (Nora von Waldstätten), a hippie, dá-lhe então uns cogumelos e Urs tem uma má trip, daquelas à Blueberry. Tão má, tão má, que fica preso dentro dela, trazendo ao de cima o seu lado animalesco, que o levam a ter ataques de fúria e violência incontroláveis. Ou será que os cogumelos são só um placebo e aquele lado selvagem sempre esteve lá, como aquele lobo que o persegue sempre que ele entra na floresta e que serve de metáfora para a selva sem tréguas que é o mundo capitalista?

O Lado Obscuro da Lua até levanta uma série de questões interessantes, mas parece tomar sempre as opções erradas na altura de decidir por onde ir. E o final, completamente desastroso, só serve par tirar a prova dos nove: este Cheeseburger tinha tanto potencial e afinal parece optar por ser só um thriller de gosto duvidoso.Título: Die Dunkle Seite des Mondes
Realizador: Stephan Rick
Ano: 2016

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