| CRÍTICAS | Fúria Silenciosa

Fúria Silenciosa abre como se fosse um filme de Brian de Palma. Um longo plano-sequência, sempre com a câmara ao ombro, acompanha o percurso de John Kirby (Brian Libby) desde a sua cama até ao telefone, onde choraminga ao seu médico que está a perder o controle. Depois vai à arrecadação, saca um machado e, num rip-off do Shining, mata à machadada dois ocupantes da casa. Alguém chama a polícia e eis que chega Chuck Norris para pôr termo à brincadeira. Percebemos então que isto não é um filme de Brian de Palma, mas também fica claro que este não é o habitual fick de acção de Chuck Norris.

Realizado em 1982, um ano antes da obra-prima McQuade, O Lobo Solitário, Fúria Silenciosa tem pela primeira vez Chuck Norris na pele de um Ranger do Texas. No entanto, aqui ainda estava no processo de metaformose para o modo badass, que ficaria completo no momento em que passou a utilizar barba completa. Aqui ainda só tem um bigode farfalhudo, algures entre o look de actor porno e o do Artur Jorge circa treinador do FC Porto.

John Kirby é então morto pela polícia, mas uns cientistas… curiosos, digamos assim, administram-lhe um soro experimental que lhe permite regenerar as lesões de forma quase instantânea. John Kirby torna-se assim num monstro de Frankenstein, com os poderes do Wolverine mas sem as garras de adamantium, que vai procurar vingança. E além desse poder regenerativo, ganha ainda força sobre-humana, que o transformam no vilão de um slasher, perseguindo as sus vítimas de forma muito cool.

A única pessoa capaz de pôr um termo a isto será, claro, Chuck Norris. E como é que se detém uma criatura com este tipo de poderes? Claro, com rotativos pelos dentes. Nada de admirar, tendo em conta que, anos depois, Chuck Norris iria derrotar o Anti-Cristo com o mesmo método (aguém mencionou Polícia Demolidor?).

A realização de Michael Miller não tem medo de experimentar um outro plano mais imprevisto e utilizar uma banda-sonora altamente psicadélica, que ajudam a conferir uma atmosfera especial a Fúria Silenciosa. Só é de estranhar é que nunca ninguém tenha apostado numa sequela disto, tendo em conta o final em aberto. Fúria Silenciosa é um dos McBacons mais fora do baralho da filmografia de Chuck Norris e um dos melhores dos seus filmes menos conhecidos.Título: Silent Rage
Realizador: Michael Miller
Ano: 1982

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