| CRÍTICAS | As Ondas de Abril

Já aqui falámos hoje de um filme italiano sobre o 25 de Abril que não teve distribuição comercial em Portugal e que duvido que muito boa gente nunca tenha ouvido falar (olá Alla Rivoluzione Sulla Due Cavalli). O mesmo poderia dizer-se de As Ondas De Abril se, por acaso, não tivesse estreado no ano das comemorações redondas de quatro décadas da Revolução dos Cravos.

É algo impressionante como a nossa abrilada continua a fascinar tanta gente lá fora. Quer dizer, se pensarmos bem nisso não é assim tanto de admirar. Foi uma revolução pacífica, que derrubou a mais duradoura ditadura europeia e a única feita à esquerda na Europa. Claro que nós não lhe damos tanta atenção, porque a) o que é feito lá fora tem sempre mais mérito e b) porque sabemos o que veio a seguir.

As Ondas De Abril é a história de um grupo de jornalistas suiços que são apanhados pela revolução em Portugal, quando estão a investigar outra coisa. Ao mesmo tempo são apanhados pelo espírito de liberdade, pela revolução sexual (aqui há uma orgia em vez da menage à trois, mais habitual nestas situações) e pelo fado lusitano (aqui encarnado pela Carminho).

As Ondas De Abril é muito parecido com Alla Rivoluzione Sulla Due Cavalli pelo retrato ingénuo que tira ao 25 de Abril, mas sai a perder por não conseguir captar o mesmo entusiasmo. Safa-se contudo pela honestidade, apesar da dimensão modesta da comediazinha televisiva. Leva para casa um Double Cheeseburger pela intenção.Título: Les Grandes Ondes (à l’ouest)
Realizador: Lionel Baier
Ano: 2013

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