| CRÍTICAS | A Morte Vem a Cavalo

Depois da trilogia dos dólares e da interminável série de títulos com o Django, de Franco Nero, A Morte Vem a Cavalo é provavelmente o western spaghetti de maior sucesso em terras italianas (e não só). Com um daqueles títulos muito estilosos que os italianos sabiam esgalhar como ninguém e que na maior parte das vezes nem sequer se adequavam ao filme (como é aqui o caso), A Morte Vem a Cavalo surge em pleno pico de popularidade do género, com um Lee Van Cleef em estado de graça.

A Morte Vem a Cavalo não poderia começar de forma mais violenta. Uns bandidos irrompem por uma casa adentro e depois de matarem o patriarca da família, violam mãe e filha antes de também as assassinar. O filho assiste a tudo e sobrevive, claro, para crescer com uma fome de vingança incrível e se tornar, 15 anos depois, no John Phillip Law. 15 anos depois vemos também Lee Van Cleef a sair da prisão e a jurar vingança aos seus colegas que o traíram e o enviaram para a choldra. E agora o plot twist: uns e outros são as mesmas pessoas. O que significa que Van Cleef e Law vão vingar-se das mesmas pessoas.

A Morte Vem a Cavalo é então um duplo filme de vingança, em que Van Cleef e Law vão tentar ser o primeiro a chegar ao destino. O filme é feito então da química entre ambos, que começam como rivais, mas que se vão tornando parceiros, à medida que se vão ajudando mutuamente. No final, acabam mesmo por lutar lado a lado a defenderem uma comunidade mexicana, quando A Morte Vem a Cavalo se torna inesperadamente num western zapata.

Apesar do argumento se engasgar mais vezes do que desejaríamos, A Morte Vem a Cavalo é um dos melhores western spaghetti que não foi assinado por Sergio Leone. Afinal de contas, estamos a falar de um filme de vingança e história não é propriamente algo de que estejamos à espera aqui. Até porque estão lá todos os sinais de que gostamos: violência estilizada a rodos, com Law a ser enterrado até ao pescoço ou a ser torturado numa prensa; a enésima banda-sonora de Ennio Morricone; e os duelos ao pôr-do-sol, com Giulio Petroni a esculpir o tempo para se demorar pacientemente num building up da cena que é exponencialmente proporcional ao número de grandes planos dos olhos dos duelistas.

Mas o que torna A Morte Vem a Cavalo especial é precisamente aquilo que o diferencia dos seus primos do género. Ou seja, os planos arriscados de Petroni, o ambiente meio gótico do filme, a pose icónica de Van Cleef e o ar meio fantasmático do filme, que lembra vagamente outro clássico de culto do western spaghetti, E Deus Disse a Caim. Lee Van Cleef, além da trilogia dos dólares, é normalmente mais recordado pelo seu Sabata, no que diz respeito às suas cauboiadas italianas. No entanto, este é o seu McBacon mais saboroso.

Título: Da Uomo a Uomo
Realizador: Giulio Petroni
Ano: 1967

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