| CRÍTICAS | O Excêntrico Mortdecai

Ainda aqui há uns dias partilhámos no Facebook um artigo da Vice que dizia que o Johnny Depp se está a tornar naquele tipo manhoso que está em todas as festas e que nós evitamos a todo o custo. De facto, a quantidade de filmes desastrosos que tem feito nos últimos anos (já nem sei qual foi o último bom. À Procura da Terra do Nunca, será), os fait-divers da sua vida pessoal hedonista (dívidas excêntricas, bandas rock, divórcios duvidosos…) e o facto de achar que basta maquilhar os olhos e pôr umas roupas esquisitas para ser actor começam a esgotar a nossa paciência. Não é que queiramos passar por cima de décadas de filmes bons e interpretações geniais. Mas Depp necessita de umas férias, não de mais um Homem Invisível.

O Excêntrico Mortdecai é o enésimo filme que tinha Johnny Depp escrito por todo o lado, mas que já não nos excita nada. Aliás, se vir Johnny Depp de bigodinho ridículo e/ou de olhos pintados outra vez não em responsabilizo pels minhas acções. A grande novidade deste filme é que não é realizado por Tim Burton, apesar de ter também o nome do… excêntrico realizador por todo o lado. Provavelmente, Burton estava demasiado ocupado a fazer pela milésima o seu mesmo filme, over and over again…

Mortdecai (Johnny Depp) é então um excêntrico e decadente aristocrata inglês, marchand de arte entalado em dívidas, com uma mulher linda (Gwynelth Paltrow) e um fiel ajudante como braço direito (Paul Bettany) – uma espécie de mistura entre José Castelo Branco e Jack Sparrow(!). O estranho assassinato de uma restauradora de arte vai levar a Sctoland Yard, através de Ewan McGregor, a recorrer (relutantemente, diga-se) aos seus préstimos para tentar penetrar nos meandros obscuros do mundo da arte, levando o filme para um thriller com uma intriga de nível internacional (russos, americanos, franceses…).

O Excêntrico Mortdecai está para o mundo da arte assim como Austin Powers está para o mundo da espionagem: uma paródia aos códigos do género, através de um humor britânico que tenta ainda ser mais seco que o britânico. O problema é que falha o pé várias vezes, saindo fora do tom irrisório que merecia, e confiando em demasia nos maneirismos de Johnny Depp, que passa o filme todo em piloto automático pensando que lhe basta o bigodinho arrebitado e os esgares com a boca para ganhar o filme. Isso faz com que este se estique para lá do recomendável, hipotecando o crédito que acumula com algumas graças bem conseguidas. Mesmo assim, este é o melhor Cheeseburger que comemos na companhia de Depp nos últimos tempos.Título: Mortdecai
Realizador: David Koepp
Ano: 2015

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