| CRÍTICAS | Oldboy – Velho Amigo

Oldboy – Velho Amigo foi o principal culpado para o hype de cinema sul-coreano que nos apanhou mais ou menos desprevenidos do início deste século. Tudo começou na edição de 2004 do Festival de Cannes, onde ganhou o grande prémio do júri (nesse ano presidido por Quentin Tarantino), e onde só não levou a Palma de Ouro para casa porque houve a decisão política de distinguir Fahrenheit 9/11, de Michael Moore. A partir daí foi uma bola de neve que só parou com o remake americano, assinado inesperadamente por Spike Lee (não foi bem assim, mas este resumo serve).

A premissa de Oldboy – Velho Amigo é uma daquelas que vale um filme. Um tipo com queda para a pinga e para a infidelidade, Dae-su Oh (Min-sik Choi) é raptado e colocado num apartamento minúsculo onde, por 15, irá comer os mesmos pastéis dia após dia e ter como única companhia a televisão. E é aí que fica a saber, pelas notícias, que a sua mulher foi assassinada e que ele, desaparecido pois claro, é tido como o principal suspeito. Quinze anos depois, é libertado. E Dae-su Oh jura vingança a quem lhe fez aquilo.

Portanto, Oldboy – Velho Amigo é um vengeance movie, que, aliás, faz parte de uma trilogia sobre o tema do realizador Chan-Wook Park. Fiel à máxima dente por dente, olho por olho, Dae-su Oh vai servir a vingança como ela se quer: fria e com um martelo de orelhas. É uma jornada épica, quase bíblica, onde vão haver muitos dentes arrancados, mas também uma cena brutal, filmada de perfil num longo plano-sequência horizontal, como se fosse uma tira de banda-desenhada. Aliás, Oldboy – Velho Amigo é mesmo baseado numa manga homónima.

Oldboy – Velho Amigo segue a tradição sul-coreana dos filmes é o filho que teria nascido da união entre Stanley Kubrick e Tarantino, se isso fosse possível. É uma peça de culto automática. Um filme que constantemente nos atinge, ora na cara, ora no estômago, mas que só nos faz voltar a erguer, cada vez mais rápido, na avidez de devorar cada momento. Um filme intenso, fazendo lembrar a sensação de assistir a Irreversível, mas sem dramatismos visuais e sonoros. Aliás, uma das armas de Park, é conjugar as cenas mais violentas com música clássica, transformando-as assim em poesia, tal como em Laranja Mecânica. Um filme obrigatório que ,mal acaba, pede para ser visto outra vez. E outra vez. E ainda outra vez. E como não poderia deixar de ser, um Le Big Mac.

Título: Oldeuboi
Realizador: Chan-Wook Park
Ano: 2003

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