| CRÍTICAS | E Deus Disse a Caim

Para quem gosta de western spaghettis, E Deus Disse a Caim não é um título desconhecido. Antes pelo contrário, é um dos filmes que os maluquinhos do género gostam de eleger normalmente como o mais violento de todos. Para todos os outros, E Deus Disse a Caim é um filme a descobrir como um dos mais singulares do género. Consta que este é um plágio de um outro, A Stranger In Passo Bravo, o que justifica o facto de Antonio Margheriti o ter sempre renegado. Mas como nunca vi o orignal, isso não interessa nada para aqui.

E Deus Disse a Caim é uma história de vingança de um pistoleiro condenado injustamente a perpétua. Conhecemo-lo no exacto momento em que um indulto presidencial o deixa novamente um homem livre e percebemos logo pelo seu olhar que agora é payback time. Ele é Gary Hamilton, ou seja, Klaus Kinski, com os seus olhos de boga. E é a ele que vamos seguir, deixando para trás um rasto de corpos mortos, antes de chegar ao homem que o incriminou e lhe roubou a mulher.

Além de ser o mais violento de todos os western spaghettis (com mortes gráficas e extremamente destruidoras), E Deus Disse a Caim tem uma aura fantasmática que lhe dá um toque especial. Aparentemente, o realizador Antonio Margheriti queria que esta fosse uma vingança épica de tons bíblicos (começando logo pelo título), mas, propositadamente ou não, acabou por lhe dar um ar sobrenatural, como se Dario Argento tivesse realizado um western gótico. Para isso, contribuem dois aspectos: o tornado que chega ao mesmo tempo à cidade, como os forasteiros sem nome de Clint Eastwood que chegam às cidades para as limpar do mal, e que o ajudam a aparecer e desaparecer com se fosse um fantasma; e toda uma série de artifícios que o realizador recorre com um dedinho mágico, como os sinos da igreja que tocam em momentos-chave, ou o final numa sala de espelhos, muito O Dragão Ataca.

Mas nem tudo são rosas em E Deus Disse a Caim. Margheriti atrapalha-se várias vezes com o tom minimalista do filme, a banda-sonora tenta sem sucesso emular os blaxploitation(!) e falta-lhe um subplot mais consistente, que dê mais força ao vilão da história. Isso não implica que E Deus Disse a Caim não seja justamente um dos mais subvalorizados western spaghetties e aquele que mais precisava dum remake. Ouviste Tarantino? Come lá o teu McBacon e depois diz-me qualquer coisa.Título: E Dio Disse A Caino
Realizador: Antonio Margheriti
Ano: 1970

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