| CRÍTICAS | Berlin Syndrome

Se há coisa que Eli Roth nos ensinou é que viajar pela Europa é perigoso. Mas, aparentemente, a australiana Clare (Teresa Palmer) nunca viu nenhum dos Hostel e decidiu pegar na mochila e ir até à Alemanha, sozinha. É então em Berlim que conhece fortuitamente Andi (Max Riemelt), com quem se vai envolver.

Apesar de Berlim não ter o romantismo de cidades como Viena ou Paris, Berlin Syndrome poderia muito bem ser mais uma sequela de Antes do Amanhecer: boy meets girl algures na Europa e vivem felizes para sempre. O problema é que, quando Andi leva Clare para casa nunca mais a vai deixar sair. Se estivéssemos na Áustria, Clare seria enfiada na cave. Como estamos na Alemanha, ela fica apenas no apartamento, com a porta trancada e janelas duplas reforçadas que não abrem.

A realizadora Cate Shortland andou a ver outros filmes sobre gente raptada, como Quarto ou Michael, por exemplo. O filme dá tempo e espaço aos personagens para se irem acomodando aquela nova situação, com um estilo mais contemplativo, procura dar atenção aos pormenores para ir marcando a passagem do tempo e tenta ir instalando medo e a paranóia também nas nossas mentes. Contudo, o filme é demasiado longo para o que quer dizer e chega a um momento que parece que começa a bater outra vez e outra vez na mesma tecla.

No entanto, não é esse o problema maior de Berlin Syndrome. O que se passa é que, após isto tudo, o filme é resolvido com um plot hole maior que o défice do Sporting. Depois de fechar Clare durante duas horas num apartamento [spoiler alert on], Cate Shortland tira-a de lá sem nos explicar como é que conseguiu abrir a porta [spoiler alert off]. E isso, acima de tudo, é super-frustrante e tira-nos a fome quase toda. Nem sei se consigo acabar o Cheeseburger…

Título: Berlin Syndrome
Realizador: Cate Shortland
Ano: 2017

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