| CRÍTICAS | O Comboio do Inferno

Um ano depois de Um Crime no Expresso Oriente, de Sidney Lumet, ter sido um fenómeno de bilheteiras, alguém decidiu capitalizar esse sucesso e junta-lo a Charles Bronson, uma das principais estrelas da altura. Nasceu assim O Comboio do Inferno, filme de mistério a bordo de um comboio, mas mais musculado e com caubóis, para aproveitar as imagens de marca de Bronson.

Estamos então a bordo de um comboio militar que segue em direcção a um forte a braços com um surto de drifteria, para dar apoio logístico e humano. A bordo, além dos militares e oficiais, segue ainda Jill Ireland – a esposa de Bronson que passou certamente mais tempo com ele a fazer filmes do que a fazerem férias juntos -, e, claro, o próprio Charles Bronson, na pele de um misterioso prisioneiro que, antes de ser um agiota procurado, era… médico(!). Por isso, quando estranhos acontecimentos começam a surgir a bordo e os cadáveres vão acumulando-se, percebemos que algo de ainda mais misterioso se passa.

Apesar dos vários sinais do western clássico (começando logo pelo comboio, esse símbolo do progress do Velho Oeste, e terminando com os índios malvados, que hão-de aparecer para o final triunfal), O Comboio do Inferno rapidamente se torna num whodunnit clássico, com Bronson a vestir a pele de Hercule Poirot. Mas este não deixa os seus créditos de action hero em mãos alheias, com muitos tiroteios e sessões de pancadaria, que culmina com uma luta no topo do comboio com o ex-pugilista Archie Moore, sem recorrerem a qualquer duplo (apesar de ambos serem já cinquentenários respeitáveis) e que faz lembrar automaticamente o número de Sean Connery, em O Grande Ataque ao Comboio do Ouro.

O Comboio do Inferno é um filme competente, que sabe conjugar as suas várias facetas, mas a que lhe falta um rasgo de asa,que o faça libertar-se do espartilho do convencionalismo. Ou seja, há coisas melhores do que um Cheeseburger, mas por vezes mais vale jogar pelo seguro e comer algo que já sabemos que vamos gostardo que experimentar algo arriscado e sairmos com fome.

Título: Breakheart Pass
Realizador: Tom Gries
Ano: 1975

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