| CRÍTICAS | Pistol Whipped – Jogo Mortal

Steven Seagal sempre adorou os que os seus filmes girassem à volta do seu umbigo e de quão grandioso, dotado e sábio é. Por iss, não deixa de estranhar ver ao início de Pistol Whipped – Jogo Mortal que ele faz de ex-polícia expulso, alcoólico, viciado no jogo e pai negligente.

Mas depois percebemos que, apesar disso tudo, Seagal continua a mostrar o quão grandioso, dotado e sábio é, como se o seu ego aumentasse exponencialmente à medida que vai engordando. Dois exemplos que provam indubitavelmente o meu argumento: prova a) Seagal aproxima-se de uma florista oriental para sacar informações sobre um gangster que acabara de comprar flores e pergunta-lhe se fala japonês ou coreano. Quando ela responde que fala ambas, ele diz eu também. Corta. Muda a cena. Prova b) Seagal conversa com Renée Elise Goldsberry, que acabara de engatar num bar, e quando ela reflecte sobre como a vida lhe seria bem mais fácil se tivesse uma pila, ele diz desde que não seja maior que a minha. Ao que ela refere isso seria impossível. Giggety. Corta. Muda a cena.

Steven Seagal torna-se então no assassino a solo de um Lance Henriksen a especializar-se em reis do crime à medida que vai ficando cada vez mais grisalho e do seu braço direito, Blue (Paul Calderon) – que alguém descreve às tantas como um tipo alto, sem barba(!) e com um fato azul, levando Seagal a identifica-lo imediatamente(!!) -, depois de lhe comprarem a dívida acumulada do jogo. Mas à medida que os alvos se vão sucedendo, vai-se destapando uma trama escondida, que tem tanto de desinteressante quanto o argumento tem de problemas de continuidade.

Quando comparada com a de colegas como Van Damme ou Dolph Lundgren, a carreira straight-to-video de Steven Seagal é a que se tem ressentido mais. Especialmente porque ele teima em querer pavonear-se de quão grandioso, dotado e sábio que é. Por isso, Pistol Whipped – Jogo Mortal acaba por ser uma agradável surpresa. Ou seja, porque não inventa em demasia e se limitada a manter-se durante a maior parte do tempo restringido aquilo que é: um filme xunga de porrada. E apesar de estar gordo que bem um bacorinho, Seagal ensaia um par de sequências de luta em que faz mesmo uns truques. Por isso, saca no final um Cheeseburger, o qual não temos pejo de assumir que é (levemente) inflaccionado.

Título: Pistol Whipped
Realizador: Roel Reiné
Ano: 2008

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