| CRÍTICAS | Pledge

A praxe, uma das tradições que o nosso país teima em manter, é um daqueles fenómenos anuais que devia deixar toda a gente triste. Crescemos, chegamos à idade adulta e entramos para a universidade, aquele espaço de sabedoria e elevação. E durante uma semana (pelo menos) lá andam os caloiros a rastejar pelo chão, com porcaria no cabelo e a serem chamados de tudo e mais alguma coisa. Que é para aprenderem os conceitos de hierarquias e outras coisas da qual a vida é feita. Mas ei, não faz mal nenhum, porque só vai quem quer, não é?

Nos Estados Unidos não existem propriamente praxes, mas existem as fraternidades, que ainda é pior. São clubes com regras próprias, em que para fazer parte exige passar por uma série de juramentos e testes (leia-se praxes) e que têm grande valor social para os universitários. Por isso, para três losers como Justin (Zachery Byrd), Ethan (Phillip Andre Botello) e David (Zack Weiner), percorrer todas as festas das fraternidades da sua universidade para ver se conseguem ser aceites em alguma é um ritual importante no início do ano lectivo.

A coisa não corre muito bem no início de Pledge para os três nerds, mas tudo vai mudar quando recebem um suspeito convite de uma tipa gira para uma festa privada. Ao chegarem lá, vão dar de caras com uma mansão de estilo colonial, cheia de betinhos que, em Portugal, estariam a estudar agronomia certamente, que os vão introduzir a uma fraternidade cujas raízes e tradições remontam a… Esparta. O que significa que as provações vão ser muitas. E exigentes. E sangrentas. E podem até envolver a morte de alguém. E ei… se calhar aquilo nem é bem uma fraternidade e há algo mais do que nos estão a dizer.

O realizador David Robbins vai-nos revelando aos poucos e poucos a verdadeira razão que leva aqueles betinhos a estarem a torturar os nerds, enquanto estes últimos se dividem moralmente entre o ir embora e não ser aleijado e o ficar e passar a ser aceite, com um status melhor. E, no final, Justin – que era aquele que, no início, nem sequer queria vir e sempre foi o que fez mais força para se irem embora – acaba por se tornar no macho alfa da matilha. Mas, como todos os que praxam dizem, só participa quem quer, certo?

Pledge pode não ser propriamente um grande filme – já vimos estes filmes de testes e tortura mil e uma vezes, de forma melhor e pior -, mas devia ser visto por todos os universitários em Portugal que são a favor da praxe. Talvez percebessem mais algumas coisas sobre pressão social, expectativas e moral e ética. Ou então podem só ver e aproveitar o McChicken, também não faz mal.

Título: Pledge
Realizador: David Robbins
Ano: 2018

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