| CRÍTICAS | Homem-Aranha: Regresso a Casa

Confesso que já estava perdido com tanto filme do Homem-Aranha e que tive de ir confirmar ao google que episódio era este Regresso a Casa. Ora bem, então se percebi bem, primeiro ouve a trilogia do Tobey Maguire, depois o remake com dois filmes com o Andrew Garfield e agora este reboot com o Tom Holland. Mas Regresso a Casa é também uma sequela de Capitão América: Guerra Civil, apesar de ser o primeiro em nome individual desta série. E é também o primeiro do Aracnídeo desde que os direitos passaram da Sony para a Marvel, o que significa que se situa no mesmo Universo Cinematográfico da Marvel, mas num diferente do dos filmes anteriores. Uff… perceberam?

Para quem cresceu com o “outro” Homem-Aranha é um pouco esquisito ver este, mais adolescente, com uma tia May boazona (Marisa *suspiro* Tomei) e uma origem ligeiramente diferente. Mas isso permite-lhe ganhar um efeito novidade, até porque, sejamos francos, já não havia paciência para o ver a ser picado por uma aranha radioactiva e o tio Ben a ser morto por um bandideco pela terceira vez. Além disso, existem nova dinâmicas aqui criadas, a principal com o Homem-de-Ferro/Tony Stark (Robert Downey Jr.) e a outra com Ned (Jacob Batalon), o seu bff (e espécie de sidekick dork).

Para quem não viu Guerra Civil, Regresso a Casa também funciona como objecto isolado, até porque abre com um resumo dessa participação do Homem-Aranha no filme do Capitão América. É uma sequência em formato found footage que é, simultaneamente, a única em que o realizador Jon Watts dá um ar da sua graça, já que, em todo o resto, está em modo tarefeito. Até mesmo quando presta homenagem a O Rei dos Gazeteiros e a John Hughes, a grande inspiração para este Homem-Aranha (em tom, não em forma).

O Homem-Aranha sempre foi um herói de grande popularidade pela forma fácil com que nos identificamos com ele. As mesmas dores de crescimento, as mesma dificuldades em pagar as contas no fim do mês e os mesmos problemas de amor. O Homem-Aranha de Tom Holland é mais novo e, consequentemente, mais juvenil. Por isso, quando Regresso a Casa tenta usar o mesmo tom descontraído de Homem_Formiga ou Guardiões da Galáxia, o que temos não é um Homem-Aranha espirituoso, de resposta fácil na ponta da língua, mas um Homem-Aranha com toda a insolência típica daquela idade.

Michael Keaton, resgatado do Universo DC onde foi o primeiro Batman, é o vilão de serviço, na pele do Abutre em versão hi-tech. No entanto, ele nem sequer está na grande cena de acção de Regresso a Casa, que leva o Homem-Aranha ao topo do Washington Monument e que é uma daquelas sequências pelas quais são lembrados os filmes. Pelo menos no futuro, quando falarmos de Regresso a Casa, é nessa cena que vamos pensar e não no McChicken final.


Título: Spider-Man: Homecoming
Realizador: Jon Watts
Ano: 2017

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