| CRÍTICAS | Operação Fronteira

Se Operação Fronteira tivesse sido feito no anos 80 seria um filme bem diferente. Para começar, teria sido feito de uma assentada, em vez de ter andado a ser arrastado durante anos, enquanto paletes de actores e realizadores iam e vinham. E depois teria tido uma abordagem bem diferente, bem mais musculada e, sobretudo, menos problemática (existencialmente falando).

É curioso estar consciente dessas diferenças num filme de acção como Operação Fronteira, cuja premissa foi usada e abusada nos anos 80. Ora vejamos: um agente especial do Governo (Oscar Isaac) reúne uma equipa de antigos comandos na reforma (Ben Affleck, Pedro Pascal, Charlie Hunnam e Garrett Hedlund) para irem capturar um tirano traficante na selva sul-americana. No entanto, tudo o que poderia correr mal vai correr mal e o que deveria ser uma missão relativamente simples torna-se num filme de duas horas.

Operação Fronteira passa então meia-hora a encher o testosterómetro e depois atira-se de cabeça selva adentro. No entanto, como o bom filme do século XXI que é, há uma certa faceta existencialista a explorar. É a influência de Kathryn Bigelow que, aliás, era para ter sido a realizadora. O problema é que Operação Fronteira parece querer passar à força determinadas ideias – a desumanização da guerra, claro, mas também a perda de controle em situações de poder e/ou desespero, assim como o fascínio do dinheiro -, já que nem sempre tem personagens com espessura suficiente para o fazer.

Operação Fronteira funciona melhor em grupo, quando o seu herói é colectivo e se limita a seguir as regras do jogo do cinema de género. E este cinema de género é o heist movie, já que, às tantas, além de eliminarem o facínora, o grupo decide também ficar-lhe com o dinheiro. Pela temática lembramo-nos de Três Reis, mas Operação Fronteira é mais uma versão de guerra de Os Onze de Oceano, com cartéis em vez de casinos.

Operação Fronteira é um honesto action movie, que não inventa e se mantém simples qb, percebendo que a melhor forma de levar a água ao seu moino é não inventar em demasia. E, com essa estratégia, traz de regresso a casa um McBacon consigo.

Título: Triple Frontier
Realizador: J. C. Chandor
Ano: 2019

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