| CRÍTICAS | Dalida

Dalida pode não ter tido o génio de Édith Piaf, mas em tragédia a sua vida deu sete a zero à segunda. E, para quem pelo menos viu La Vie en Rose, sabe que a vida de Piaf foi tudo menos rosas. Por isso, dá para imaginar o que o espera em Dalida: tentativas de suicídio, namorados famosos, tiroteios, amantes que se mataram e muita polémica associada. E depois, claro, a música!

Dalida, uma das maiores vozes femininas da França a seguir a Édith Piaf – ela, que nasceu no Cairo e era metade italiana – foi um daqueles fenómenos internacionais pré-globalização, o que significa que, nessa altura, só os mesmo bons é que tinham esse reconhecimento. Ou seja, Dalida era do mesmo campeonato que Piaf, Amália Rodrigues ou Umm Kulthum.

Dalida é um biopic mais sobre a sua vida do que a obra. A música é quase sempre meramente ilustrativa, excepção feira a Je suis malade, altura em que cantou, pela primeira vez, o verdadeiro conflito interior que vivia em permanência. De resto, segue mais ou menos a forma tradicional (apesar do filme começar com a sua tentativa de suicídio, recuar à sua origem e depois retomar o ponto de partida) a vida da cantora, parando de forma mais ou menos prolongada nos principais momentos da sua vida.

Curioso ver também que, o facto de ser assinado por uma realizadora, Lisa Azuelos, faz com que Dalida não tenha um olhar paternalista ou machista de uma cantora que foi tantas vezes notícia pelo seu génio como pelos seus amantes. Tal como a nossa Simone, houve muito boa gente a acusa-la de dedo em riste por ter outro namorado quando ainda estava casada. E este são os momentos #metoo do filme.

Biopic extremamente competente sobre uma mulher de vida cheia, mas que falha na representação da artista. É como se esta não precisasse de ensaiar e trabalhar, como se tudo fosse quase como uma predestinação divina. Esta é uma tentação da maioria dos biopics sobre músicos, diga-se. Mas depois Dalida redime-se com todas as suas forças com o último plano, uma forma lindíssima de terminar o filme. Quase que apetece pedir um McChicken apenas para durar mais tempo a terminar aquela cena final.

Título: Dalida
Realizador: Lisa Azuelos
Ano: 2016

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