| CRÍTICAS | Miss Violence

Portugal e Grécia, que passaram por um… aperto financeiro muito semelhante e praticamente ao mesmo tempo, produziram um novo cinema muito marcado pela crise, que é, simultaneamente, muito diferente e muito parecido. Enquanto que o cinema da Troika português é mais próximo de um certo neo-realismo, o grego é muito mais simbólico, metafórico e alegórico.

Isto faz com que este novo cinema grego seja tão imoral quanto amoral, chegando mesmo a raiar o absurdo. Basta olhar para Yorgos Lanthimos, o nome mais sonante desta vaga, para encontrarmos todas estas marcas nos seus filmes. Se Lanthimos é então o ponta-de-lança titular e indiscutível desta equipa, Alexandros Avranas é o avançado suplente condenado ao banco, mas autor de um golo decisivo num jogo importante qualquer. E, para terminar esta metáfora, esse golo foi Miss Violence.

Miss Violence é a história de uma família típica de classe média grega, que vê a filha de 11 anos saltar da varanda no dia do próprio aniversário. Um acto chocante e aparentemente sem sentido, se bem que já todos nós vimos o Suicide Club, não é? Por isso, enquanto a vida continua naquela família, nós começamos a perceber que algo não está bem.

Pode ser só impressão nossa. Afinal de contas, o cinema formatado de Avranas é feito sobretudo de silêncios e planos fixos, enquanto que os actores parecem estar sempre hipnotizados, como em Coração de Gelo, do Herzog. Mas falta a essa dormência o mesmo rigor de um Lanthimos ou de um Michael Haneke, nomes com quem Miss Violence partilha o mesmo amoralismo cruel e absurdo.

Miss Violence leva Canino um passo à frente, não significando isso que seja necessariamente melhor. É mais perturbador, mas num outro sentido. E este McBacon valeu a Alexandros Avranas a transferência para Hollywood, onde assinou Crimes Sombrios. Contudo, tarda em se adaptar e em convencer os adeptos.

Título: Miss Violence
Realizador: Alexandros Avranas
Ano: 2013

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