| CRÍTICAS | Um Lugar ao Sol

Uma vez, para o campeonato de futebol do desporto escolar, perguntaram-me se eu preferia ser suplente da equipa A ou titular da equipa B da minha escola. Suponho que quem mo perguntou não se tenha apercebido de todas as implicações filosófico-existenciais que a pergunta acarretava.

George Eastman nasceu para jogar a suplente nas distritais, mas o seu sonho é jogar a titular num dos grandes. Um Lugar ao Sol é o nome do filme que transpõe para o grande ecrã o romance the Theodore Dreiser, An American Tragedy, e é disso que se fala aqui: uma tragédia americana.

Montgomery Clift desempenha soberbamente o papel do jovem de origens operárias que faz do Sonho Americano a sua missão de vida. Todas as escolhas que faz poderão ditar a sua sorte e é por isso que ,ao mesmo tempo que começa uma relação amorosa com uma rapariga de semelhantes origens (a perfeita Shelley Winters), apaixona-se perdidamente por Angela Vickers (a deslumbrante Elizabeth Taylor). Por ela e pela sua posição social e pela vida que isso representaria para ele.

Mais do que uma história de um triângulo amoroso, Um Lugar ao Sol é a história da América e do seu Sonho. E é na perfeita metáfora que reside a principal força do filme. É verdade que Clift e Taylor são irrepreensíveis, mas o que verdadeiramente importa aqui é que a parada é mesmo alta. Não se trata de um filme sobre George Eastman. Trata-se de um filme sobre a perversa e erotizada relação entre classes, entre privilegiados e desgraçados, sobre a forma como uns e outros se relacionam de maneira perversa e sobre tudo o que têm perder. Quer quando a rica Angela se perde de amores pelo risco e rebeldia de George, quer quando George tenta cortar todos os laços que o prendem à sua origem de classe para poder viver um amor (e uma vida) de sonho.

Sem estragar o final, a história resolve-se com uma coragem notável e uma negritude assustadora. É um Royale With Cheese, sem sombra de dúvida. Ah!, e eu acabei por escolher ser suplente a equipa A. E se fiz figura de urso…

* texto por Diogo Augusto

Título: A Place in the Sun
Realizador: George Stevens
Ano: 1951

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