| CRÍTICAS | Wolf

Wolf parece ter escrito por um daqueles patetas reacionários que não deixam os filhos ir às aulas de Cidadania e se espumam contra esse conceito imaginário que é a ideologia de género. Quando lhes perguntam porque é que o que as outras pessoas sentem os incomoda tanto, cospem argumentos ainda mais ridículos, como qualquer dia vou querer sentir-me uma palmeira e coisas assim. E se lhe tentarmos explicar calmamente que isso não é assim que funciona e que eles são uns idiotas de merda, eles respondem então e o Wolf? Não viste o Wolf? O Wolf parece ter sido escrito por um pateta destes, de forma a poder ganhar estas discussões.

George MacKay é então um jovem que se sente um lobo, preso no corpo de um adolescente. Tal como os outros jovens que estão internados na clinica para onde os pais o enviam, gerida por Paddy Considine (e que todos chamam, pertinentemente, de Zookeeper(!)), George MacKay sobre de uma condição imaginária chamada de disforia de espécie. Assim, na clínica vai conhecer outros jovens que afirmam ser um pastor alemão, um papagaio, um esquilo ou um gato selvagem (Lily-Rose Depp, a outra parte desta história que interessa para o filme).

Considine gere a clínica de forma tirânica e os seus métodos inovadores e pouco ortodoxos de converter aquele jovens em seres humanos normais incluem a confrontação e a humilhação perante eles próprios e os outros. Porque, ei!, isto é uma óptima prática terapêutica com provas mais que dadas na psiquiatria. Só que não. Por isso, se já é difícil levar Wolf a sério, com essas abordagens pouco… inteligentes, torna-se ainda mais difícil aceitar a implausibilidade da premissa.

Claro que existe sempre a metáfora de Wolf às condições de género ou até mesmo à ostracização da homossexualidade, mas isso é apenas a inevitabilidade da sua ideia. É que Wolf se limita a ser um filme altamente conceptual, sem procurar estender-se além disso. Como se alegoria fosse suficiente com a exposição das peças pelo tabuleiro. E isso é pena, porque George MacKay atira-se de corpo e alma ao papel, com uma fisicalidade extrema que nos faz realmente acreditar que ele é um lobo em pele de rapaz. Um tour de force desperdiçado num filme que é apenas bufo.

Wolf torna-se assim quase insultuoso, até porque não tem quase nada para oferecer e esforça-se em demasia para esticar a sua premissa por hora e meia, o que faz dela um gimmick, um simples truque. Olhamos para este Happy Meal e finalmente percebemos o que é que as pessoas que não gostam do A Lagosta se sentem.

Título: Wolf
Realizador: Nathalie Biancheri
Ano: 2021

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *