| CRÍTICAS | Ruína Azul

O seguinte texto contém spoilers

Dwight (Macon Bair) levava uma vida pacata quando o conhecemos, a abrir Ruína Azul. Ou, pelo menos, tão pacata quanto pode ser a vida de um (semi)sem-abrigo. Relaxa pela praia, vai comendo o que apanha nos caixotes do lixo, dorme no carro e, ocasionalmente, invade uma casa alheia só para tomar uma banhoca refrescante. Até que a polícia o vem buscar um dia e diz-lhe que o homem que matou o seu pai vai ser libertado antes do tempo.

Ora, Dwight não tem outra solução do que não a de embarcar numa vingança sanguinária. Olho por olho, dente por dente, é o mote de qualquer vengeance movie que se preze. O que Dwight não estava à espera é que a coisa escalasse num banho de sangue brutal, que se pode estender igualmente à sua família, irmã e sobrinhas incluídas.

Não há nada de novo na estrutura e no formato de Ruína Azul, um filme que tanto evoca Os Noivos Sangrentos (basta ver o cartaz, com um still tirado em pena magic hour) como coisas mais inesperadas, tipo O Bom, O Mau e o Vilão. O grande trunfo do filme, além do seu carácter independente – produzido inteiramente a partir de uma campanha de crowdfunding online, que culminou com o prémio FIPRESCI e muitas loas tecidas ao melhor filme (a hipérbole não é minha) desse ano – é antes o seu herói.

Primeiro, Dwight, por ser um sem-abrigo solitário, é de poucas palavras, o que o tornam num daqueles heróis silenciosos na tradição de O Ofício de Matar. E depois porque, quando corta a barba e o cabelo, revela-nos uma carinha de bebé de quem não consegue fazer mal a uma mosca, tornando-se assim no anti-herói mais inesperado de sempre. Só que à medida que o factor surpresa se desvanece e ele começa a fazer amigos (reatando a amizade com um antigo colega de escola, que cresceu para se tornar num maluquinho das armas de fogo), Ruína Azul vai-se normalizando cada vez mais no enésimo filme de vingança.

Não é que Ruína Azul traga muito de novo ao género, sendo um filme que já vimos várias vezes. Tem, no entanto, o bónus de conseguir parecer novo durante um bom pedaço. E isso é bem mais interessante do que o sub-texto familiar que tenta passar, com a mensagem de que a família é uma coisa hereditária, para o bem e para o mal. Daí o Double Cheeseburger, que encerra esta prosa.

Título: Blue Ruin
Realizador: Jeremy Saulnier
Ano: 2013

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *