| CRÍTICAS | Espíritos Inquietos

Para quem conhece essa sinistra figura da nossa praça pública que é o Pedro Cho, provavelmente já o ouviram a gabar-se de operar pacientes sem usar anestesia, recorrendo apenas à acupunctura. E consegue dize-lo sem se rir, o que é desde logo espantoso. Além disso, até tem um vídeo de uma suposta operação que pode ser visto no maravilhoso mundo do YouTube e que é uma mistura de teatrinho de escola com aquele da autópsia do extraterrestre.

Espíritos Inquietos não tem nada a ver com acupunctura, mas vai beber inspiração à zona escura da hipnose, que também é uma espécie de pseudo-ciência que dá para tudo, inclusive para filmes de terror. Kevin Bacon, pai, marido e membro activo da força de trabalho do seu país, é também um cético dessas coisas de “medicinas alternativas”, seja lá isso o que for. Por isso, numa noite de copos com os amigos, deixa a cunhada experimentar hipnotiza-lo, só naquela de dar umas risadas. Só que aquilo acaba por mexer em algo na sua mente e Kevin Bacon passa a ter visões do fantasma de uma miúda do bairro que desapareceu há uns tempos atrás.

Na verdade, Espíritos Inquietos já nos vinha dando umas pistas de que isso estava para acontecer. É que o filho de Kevin Bacon está sempre a conversar sozinho com as paredes, quando ninguém está a olhar. E isso é ainda mais perturbador que as visões que Kevin Bacon passa a ter, com o ecrã a ficar todo vermelho ou a famosa cena da fantasma a andar toda marada (aqui, a partir dos 40 segundos). Mais tarde há ainda de surgir uma personagem caída do céu, altamente estereotipada – um polícia negro que, nos tempos livres, é feiticeiro vudu(!) -, and servirá apenas para aproximar Espíritos Inquietos de Shining, ao explicar que certas pessoas nascem com um dom e que se tornam receptoras no mundo terreno do mundo do além (e antes que a palavra plágio vos passe pela cabeça, fiquem a saber que o livro em que este filme se baseia antecede o de Stephen King em muitos anos. Agora pensem).

O política do vudu há de explicar tudo isso à esposa (Kathryn Erbe), que anda desesperada com o comportamento errático do marido desde aquele episódio com a hipnose, mas esta opta por ignorar completamente o assunto. Logo de seguida, o polícia do vudu desaparece para todo sempre. Ou seja, o realizador David Koepp sentiu necessidade de recorrer a esse deus ex-machina para nos explicar certinho e direito como funciona o além, não fôssemos nós, patetas, criar as nossas próprias conclusões sobre o other side.

Título: Stir of Echoes
Realizador: David Koepp
Ano: 1999

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