| CRÍTICAS | Capitão América: O Soldado do Inverno

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Uma das cenas fixes de Capitão América: O Primeiro Vingador era o seu ar de war movie. Ao contrário do que seria de esperar, o filme pouco tinha de super-hero movie como os outros títulos da Marvel. Também é verdade que depois lhe faltava mais sujidade, mais lama e mais brutidade, mas isso é o problema generalizado dos blockbusters que agora estreiam, teimando em agradar a toda a família. Mas ao menos, Capitão América: O Primeiro Vingador tinha aí um trunfo para explorar.

A sequela que agora estreia já não tem nada de filme de guerra, mas – surpresa! – também volta a não ter nada de filme de super-heróis. Capitão América – O Soldado Do Inverno é um filme de espionagem, que podia muito bem ser mais um episódio da Missão: Impossível, do Tom Cruise. E o tema não podia ser mais actual, depois do caso Edward Snowden: espionagem a larga escala, privacidade e partilha de informação.

O Capitão América (Chris Evans) vai então desmantelar uma facção da HYDRA que se infiltra na SHIELD e que tira Nick Fury (Samuel L. Jackson) de combate logo nos primeiros vinte minutos (numa perseguição automóvel que é o melhor momento do filme). Pelo caminho conta com o apoio da Viúva Negra (Scarlett Johanson novamente de calças de cabedal), do Falcão (Anthony Mackie num bromance com uma carga homoerótica involuntária algo perturbadora, que inclui momentos românticos a dois a ouvir o Marvin Gaye e tudo) e a Agente 13 (Emily VanCamp).

Chris Evans as Captain America/Steve Rogers, center, in a scene from the motion picture "Captain America: The Winter Soldier." CREDIT: Marvel [Via MerlinFTP Drop]

A este maranhal todo juntam-se ainda os maus – o político corrupto (Robert Redford), o Soldado de Inverno (erro de casting de Sebastian Stan), Batroc (Georges St Pierre)… – e percebe-se onde está o problema de Capitão América – O Soldado Do Inverno: demasiada informação. Algo se passa com os filmes-pipoca de agora, que parecem confundir quantidade com qualidade. Por isso é que todos têm agora sempre mais de duas horas. Os argumentistas tentam acumular o máximo de informação possível (personagens, twist, contra twists, etc.), mas quando pensamos bem na coisa, chegamos à conclusão que nada se passa realmente no filme. E deixamos de nos preocupar com os protagonistas ou de prestar atenção à história.

Perde-se assim uma boa oportunidade de fazer um filme de heróis jeitoso e diferente do habitual. Ah, e se estavam à espera de ver o Capitão América em choque cultural a tentar adaptar-se a um novo tempo, podem esquecer. Não é esse o caminho que Capitão América – O Soldado Do Inverno toma. Saca mesmo assim um McChicken porque eu gosto à brava do Cap.mcchickenTítulo: Captain America: The Winter Soldier
Realizador: Anthony & Joe Russo
Ano: 2014

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