| CRÍTICAS | Confronto de Assassinos

Rezam as crónicas que ao sábado, quando Cuba Gooding Jr. vai ao bar lá do sítio beber uma jola com os amigos, ainda serve de pândega aquela história de como ele ganhou um Oscar uma vez. Os mais novos nunca acreditam no relato até alguém sacar do smartphone e abrir o youtube, os mais velhos fazem piadas sobre as drogas que os membros da Academia andavam a tomar na altura e Cuba Gooding Jr. ainda tem dificuldades em acreditar que aquele dia realmente aconteceu.

Depois de Jerry Maguire, a carreira de Cuba Gooding Jr. foi apagando-se lenta (e previsivelmente) em filmes cada vez mais esquecíveis, até entrar na sua segunda fase. A segunda fase é aquela em que passa a dedicar-se a action flicks que vão directamente para DVD sem passarem pela casa de partida e receberem 10 euros, tentando tornar-se num herói de acção a procurar repetir as glórias passadas. E, actualmente, encontra-se já na terceira fase da sua carreira (e, possivelmente, a última, caso não consiga uma reabilitação qualquer miraculosa), que é a televisiva.

Tal como Jean-Claude Van Damme, Cuba Gooding Jr. também experimentou as produções europeias, filmadas normalmente no leste, em que a mão-de-obra mais barata é inversamente proporcional ao tom mais negro dos action flicks. Esse ambiente combina melhor com o ar envelhecido e acabado destes actores, que assim encontram um justificativo válido para as suas rugas. Confronto de Assassinos surge assim na linha de 6 Balas e Assassinos e Rivais, todos filmes rodados na Roménia.

Cuba Gooding Jr. é assim um assassino a soldo, a quem os grupos mafiosos recorrem quando precisam eliminar alguém. Quando falha um trabalho, Cuba vê entrar em acção outro assassino, o lendário Wolf – Dolph Lundgren com o seu ar acabado, de camisa havaiana, fedora ridículo e um pitbull pela trela. No entanto, quem anda atento a estas movimentações dos filmes straight-to-DVD normalmente sabe que Dolph costuma ser um selo de qualidade. Não é propriamente o caso, mas ei, também não estamos aqui à espera de nenhum Oscar, não é verdade?

Temos então dois assassinos a soldo lançados um contra o outro. Já vimos esse filme antes (alguém mencionou Assassinos, com Sylvester Stallone e Antonio Banderas?), mas este consegue ser ainda mais formulaico, limitando-se a empurrar um contra o outro. Há ainda um subplot romântico, com a espanhola Claudia Bassols, mas que demora tanto tempo a desenvolver que chegamos inclusive a ficar incomodados com o voyeurismo de Cuba Gooding Jr. sempre a mafiar tudo o que ela faz sem sabermos porquê. Cuba e Dolph ainda se engalfinham, mas a idade já não perdoa e Lundgren já não consegue mais do que ensaiar umas patadas com força. Longe vão os tempos em que ele is not human, he’s like a piece of iron. No final, levam para casa um Happy Meal para dividir pelos dois.Título: One in the Chamber
Realizador: William Kaufman 
Ano: 2012

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