| CRÍTICAS | Águia Negra

Apesar do que possa parecer pelo poster do filme, Jean-Claude Van Damme não é o protagonista de Águia Negra. O japonês Shô Kosugi é o herói desta contenda, ela que, no final dos anos 80  em pleno boom dos filmes de ninja – esse sub-género do cinema xunga que marcou ali uma época, no final da década de 80 -, era uma das grandes estrelas dos kung fu movies norte-americanos. Nesse mesmo ano, estrearia contudo Força Destruidora que faria de Van Damme uma estrela global, enquanto que Kosugi se afundaria na irrelevância de uma indústria que cada vez prestava menos atenção aos ninjas.

No entanto, Shô Kosugi é aqui, possivelmente, o pior protagonista de sempre. Apesar do filme querer retrata-lo como um herói versátil, colocando-o num sem número de acrobacias mais ou menos inúteis (como quando vai de asadelta(!) mergulhar no Mediterrâneo, porque ir de barco era demasiado mainstream), Kosugi leva na boca do Van Damme como gente grande. Primeiro [spoiler alert], consegue escapar a uma perseguição automóvel à rasquinha, porque o belga prefere parar para dar uma lengada(!) a Dorota Puzio, uma capanga da sua gangue por quem se apaixona no subplot dramático mais metido a martelo da história do cinema xunga; e depois [novo spoiler alert], no duelo final com Van Damme, aproveita que este se distrai com um grito da sua recém-amada (outra vez ela a estragar tudo) para… lhe dar um tiro à traição(!). Herói super-farsola!

Quanto ao filme em si, é uma espécie de fusão entre o ninja flick e o filme de espiões à James Bond, que, no entanto, se centra apenas num destino exótico: Malta. Aliás, o governo maltês deve ter patrocinado bem o filme, porque Águia Negra faz um brilharete enquanto promotor turístico. Isso e muito product placement! Quanto à história, centra-se num avião militar norte-americano que cai ao largo de Malta com um laser qualquer secreto a bordo e que os russos tentam se apoderar, enviando logo para o local um barco cheio de espiões e com o Van Damme. E que fazem os americanos? Enviam, claro, um único homem: o seu principal agente, conhecido por Águia Negra, que leva consigo os dois filhos(!) porque está nas únicas duas semanas de férias por ano que pode estar com eles(!!).

Assim, durante a manhã, Kosugi está a derrotar russos malvados, enquanto de tarde está a entreter os filhos(!). E o que acontece? Claro, os putos são raptados. Mesmo assim, um deles consegue escapar, apenas para poder ter um encontro de primeiro grau com um grupo de jovens rufias malteses(!), que despacha com uns rotativos bem ensaiados. Quanto ao resto, é um acumular de cenas parvas e mais ou menos inúteis, com cenas de porrada mal coreografadas, diálogos dignos de teatrinhos de escola e cenas de acção bafientas e cheias de teias de aranha. O melhor deste Happy Meal? Claramente Jean-Claude Van Damme em registo badass, de poucas falas, e que, como não podia deixar de ser, não perde a oportunidade para fazer a espargata, a sua imagem de marca, numa cena igualmente gratuita.Título: Black Eagle
Realizador: Eric Karson 
Ano: 1988

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