| CRÍTICAS | G.I. Joe – Retaliação

G.I. Joe – O Ataque dos Cobra é, provavelmente, o filme mais desmiolado dos últimos tempos (de sempre?). Afinal de contas, não há muito mais por onde ir num filme de acção em que soldados lutam contra ninjas, não é verdade? Por isso, a suspensão da descrença tem que ser forte, muito forte, para se poder aguentar este franchise. O que não significa que isso não dê para nos divertirmos.

Para a sequela de G.I. Joe – O Ataque dos Cobra foi logo anunciado que o elenco seria quase todo ele novo (até porque gente como Sienna Miller e Joseph Gordon-Levitt descartaram-se logo educadamente com um vão-se lixar que a mim não me lixam mais). O que quer dizer que, neste G.I. Joe – Retaliação, nem sequer as questões de continuidade tinham muita importância. No fundo, é seguir a linha dos desenhos-animados, em que o que interessa é o factor entretenimento, sendo as personagens apenas arquétipos de determinados tipos de heróis ou vilões – o ninja bom vs o ninja mau, o soldado pouco ortodoxo, o líder, a tipa gira… Nem sequer chegam a ser clichés, são meras projecções de personagens em função de um argumento(?) action driven.

Como se sabe, os G.I. Joe são uma força especial que reúne os melhores soldados do mundo, mas em que todos são, surpreendentemente (ou não), norte-americanos. G.I. Joe – Retaliação é capaz de ser o filme mais reaccionário de sempre desde Soldados do Universo, se bem que sem o factor sátira desse. Desde G.I. Joe – O Ataque dos Cobra as coisas alteraram-se significativamente: Channing Tatum é o líder da força de elite, mas agora em regime de buddy movie, com a adesão de Dwayne Johnson ao elenco (Marlon Wayans, o seu anterior sidekick (e extremamente irritante), desapareceu entretanto). Mantém-se ainda Snake Eyes (Ray Park), mas todos os restantes soldados são novos.

Da parte dos maus, sabemos que estão ou presos ou a monte e que a vingança é um prato que se serve frio. Afinal de contas, o subtítulo do filme é retaliação. Vai então haver um inside job e um plano mirabolante que envolve o desarmamento nuclear de todas as potências mundiais, para que os Cobra tomem conta do mundo mais facilmente. Para isso, são mortos todos os GI Joes (Channing Tatum incluído, logo a abrir, na melhor opção de todo o filme), sobrevivendo apenas três, que, claro, vão ter que pôr um ponto final a isso.

A irrisão é grande, apenas ultrapassada em dimensão pelos buracos no argumento(!) do filme. Restam então as cenas de acção, que afinal de contas é para isso que todos aqui viemos. Contudo, salvo uma bela sequência nos Himalaias, em rapel, pouco há para contar. Jon M. Chu, um tipo que tinha no currículo os telediscos do Justin Bieber, parece querer despachar tudo com a mesma velocidade com que Bieber arruina a música pop, tremendo muito a câmara e culminando cada sequência com uma explosão exponencialmente maior em relação à anterior. No fim ainda aparece Bruce Willis, uma espécie de piada sem graça, que não acrescenta nada de novo. Com o cérebro desligado e a quantidade certa de estou-me a cagar para o realismoG.I. Joe – O Ataque dos Cobra tinha uma dose de escapismo suficiente para nos divertirmos. Mas G.I. Joe – Retaliação é só celulóide gasto para nos fazer perder tempo. Vejam lá se o Happy Meal não vos causa uma indigestão.Título: G.I. Joe: Retaliation
Realizador: Jon M. Chu
Ano: 2013

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