| CRÍTICAS | Poltergeist, o Fenómeno

Apesar de ter sido creditado a Tobe Hooper, Poltergeist, o Fenómeno, um dos filmes sensação de 1982, foi responsabilidade quase total do seu produtor, Steven Spielberg. Na altura a rodar ET, o Extraterrestre (que viria a estrear na semana seguinte), Spielberg preferiu manter-se apenas como “consultor criativo”, apesar de ter filmado ambos em simultâneo.

Apenas alguém muito distraído não vê a mão omnipresente de Spielberg no filme. Apesar de ser um filme de fantasmas, Poltergeist, o Fenómeno consegue passar hora e meia sem mostrar um único ser paranormal e mesmo assim pregar-nos sustos do caraças. E mesmo sendo um filme de terror, Poltergeist, o Fenómeno é um filme sem sangue e sem uma única morte. Ou seja, estamos a falar de cinema de terror familiar.

Poltergeist, o Fenómeno é então a história da família Freeling (outra das características de Spielberg, os valores familiares e o núcleo familiar que é ameaçado por uma entidade exterior), cuja casa foi construída sobre um cemitério. Mas obviamente que que eles não sabem deste pormenor. Os fantasmas, incapazes de descansarem em condições, vão assombrar a casa, primeiro através da televisão e depois pelo guarda-fato, raptando inclusive Carol Anne, a filha mais nova (a menina prodígio Heather O’Rourke).

Apesar de alguns temas recorrentes, Poltergeist, o Fenómeno é um filme tão marcante que tomou como seu o flick da casa assombrada construída sobre um cemitério. E depois, teve o atrevimento e a visão de despoletar tudo através de uma televisão, ícone da cultura pop que começava a dominar a sociedade.

Hopper prova em Poltergeist, o Fenómeno que um bom realizador consegue filmar situações assustadoras com qualquer coisa. Com o enquadramento correcto e a banda-sonora certa (ter Jerry Goldsmith a trabalhar para si é, também, meio caminho andado), consegue fazer uma televisão a passar electricidade estática parecer a coisa mais assustadora de sempre. Isso e palhaços debaixo da cama! E depois há ainda uma série de situações que Tobe Hooper viria a reciclar posteriormente na sua saga em Elm Street (como a subida pelas paredes, por exemplo).

Poltergeist, o Fenómeno é um dos grandes filmes de horror, que consegue alternar as situações de suspense com a boa disposição e o terror sugestivo com as situações mais gráficas. Além disso, é, quiçá, o filme de fantasmas por excelência. Além disso, teve a infeliz sorte de ter ficado mitificado pelo facto de ambas as jovens actrizes terem falecido precocemente, situações que contribuem sempre para criar uma espécie de maldição em redor dos filmes. Um Le Big Mac é a conta que Deus fez para este filme.Título: Poltergeist
Realizador: Tobe Hooper
Ano: 1982

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