| CRÍTICAS | The Order – Cruzada Final

E aquela vez que Jean-Claude Van Damme fez de Indiana Jones dos pobres e foi a Israel procurar uns artefactos arqueológicos quaisquer? Pois, a verdade é que pouca gente se lembra que The Order – Cruzada Final existe. E quem os pode censurar por isso tendo em conta o gabarito desta xungaria?

Apesar de ser realizado por Sheldon Lettich, autor de dois dos melhores filmes do belga (olá Duplo Impacto, olá O Legionário), The Order – Cruzada Final tem muito pouco a ver com esses filmes menos maus de Van Damme. Até porque parece que algo se passou com Lettich, que está sempre a insistir numa espécie de câmara lenta manhosa e na edição extremamente atabalhoada das cenas de luta. Por isso, mesmo havendo no elenco gente como Brian Thompson ou Abdel Qissi (um habitué dos Van Damme flicks), a única sequência de porrada digna desse nome é com Peter Malota (o realizador do recente Vingança Balcânica) e que se limita a uma série de pontapés na atmosfera. Literalmente.

Quanto ao filme, Van Damme é um caçador de artefactos arqueológicos que tem que ir a Israel procurar o pai e descobrir o antigo tesouro de uma seita do tempo das Cruzadas, que une o que de melhor tem o Cristianismo, o Islamismo e o Judaísmo. Primeiro, há uma sequência com Van Damme mascarado de judeu ortodoxo a fugir pelas ruas de Jerusalém que podia ter saído do Benny Hill, se tivesse a theme song certa; depois, há outra perseguição com a polícia, em que Van Damme despacha uns quantos agentes ao pontapés, até porque eles neste perseguição não levam armas, claro (mas toda a gente acha normal e não o levam preso); e, finalmente, Van Damme faz parelha com a mocinha do filme, a bela Sofia Milos (que anda sempre com o decote da farda bem aberto, maquilhagem e cabelo solto), para ir pôr um ponto final nos intuitos malévolos da tal seita.

No final, quando entram nos túneis secretos sobre Jerusalém, guiados por um mapa medieval que o pai de Van Damme descobre e traduz, os maus mandam Van Damme à frente para lidar com a armadilhas. Entramos então no modo Indiana Jones, circa A Grande Cruzada, e esfregamos as mãos com as potencialidades de xungaria que isto comporta. No entanto, depois de um buraco, não existe mais nenhuma armadilha para ultrapassar. Bummer!

É assim The Order – Cruzada Final: uma série de momentos cheios de potencial que se revelam um fogo-fátuo e uma mão cheia de nada. O próprio Charlton Heston, que sabe-Deus como convenceram a participar nisto, entra um par de minutos e acaba por desaparecer, tombado no bodycount colateral (que despacha uma série de personagens secundárias sempre de forma altamente aleatória). Uma desilusão chamada Happy Meal.

Título: The Order
Realizador: Sheldon Lettich
Ano: 2001

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