| CRÍTICAS | A Velha Guarda

Preconceitos à parte, quem é que diria que Charlize Theron se haveria de tornar na actriz de acção mais importante da actualidade? Qual Angelina Jolie qual quê! Desde Aeon Flux que Theron começou a flirtar com o cinema de acção e, nos últimos anos, Atomic Blonde – Agente Especial e Mad Max – Estrada da Fúria consolidaram-na como heroína de acção de pleno direito. E agora a Netflix da-lhe o seu próprio franchise.

A Velha Guarda começa como um filme normal de tiros. Charlize Theron é a líder de uma equipa especial de soldados da fortuna, que são contratados por um ex-CIA (Chiwetel Ejiofor) para resgatarem umas miúdas raptadas no Sudão. No entanto, ainda nem estamos num quarto de hora de filme e eis o primeiro twist, com A Velha Guarda a flirtar descaradamente com o sobrenatural. Mas quer dizer, devíamos ter adivinhado isso assim que vimos os espadalhões que aquela malta usava.

Charlize Theron e a sua gangue são então imortais, que zelam por um mundo melhor. E Chiwetel Ejiofor vai estar na sua peugada para os entregar a Harry Melling, o mais jovem CEO da indústria farmacêutica, que os querem dissecar e descobrir o segredo da eterna juventude. Só que A Velha Guarda não se fica por aqui e bifurca-se noutro subplot: o de Kiki Lane, uma jovem e nova imortal que entra em cena e se vai juntar ao grupo.

A parte de A Velha Guarda é que não é apenas um desmiolado filme de acção action drives, que só quer saber como aumentar o bodycount. Há boas sequências de acção, é verdade, mas a realizadora Gina Prince-Bythewood dá espaço aos seus personagens para respirarem e para se preocuparem consigo próprios. Ou seja, dá-lhes espaço para existirem. Até porque A Velha Guarda é, no fundo, uma reflexão sobre a eternidade e de como o para sempre é mesmo muito tempo. Lembram-se de Só os Amantes Sobrevivem e do tédio da eternidade? Uma vez perguntaram a Manoel de Oliveira como era ter 100 anos e ele respondeu que era ver os amigos todos morrer…

Se essa é a parte boa de A Velha Guarda, isso significa que também há uma parte má. A boa notícia é que não é má, é só menos boa. A primeira é o facto de, à medida que se vai aproximando do fim, mais se vai simplificando na habitual luta entre o Bem e o Mal, onde pu se é preto ou se é branco; e a segunda é… o vilão. Harry Melling é provavelmente um dos piores maus de sempre. Um miúdo super-irritante, que representa a Big Pharma (uhh, que papão medonho) e que vai empurrar para o fundo do poço Ejiofor, que não tem como escapar a esta mediocridade e que se reflecte na sua motivação dúbia.

No pós-crédito há uma cena que deixa em aberto a sequela que há de aí vir e o melhor que se pode dizer de A Velha Guarda é que a vamos querer ver. Se isso não é melhor que um Cheeseburger então não percebo nada disto e não ando aqui a fazer nada.

Título: The Old Guard
Realizador: Gina Prince-Bythewood
Ano: 2020

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *