| CRÍTICAS | Tennessee Buck e os Salteadores da Tribo Perdida

Depois de Indiana Jones era expectável que surgissem mil e um rip-offs a tentarem capitalizar o sucesso do mais famoso arqueólogo do mundo de forma desavergonhada. E, no entanto, apenas apareceu Em Busca da Esmeralda Perdida que, surpresa!, também é giro (à sua maneira, claro). No entanto, o straight to video é um mundo à parte, em que é possível encontrar tudo. Aliás, se não encontram qualquer coisa no straight to video é porque não estão a procurar correctamente. Por isso, tomem lá a versão genérica de Indiana Jones, mas com mais mamas ao léu: Tennessee Buck e os Salteadores da Tribo Perdida (até o título em português é todo ele um tratado de xungaria).

Tennessee Buck (David Keith) é então o outrora maior caçador do mundo, que agora vive uma vida de deboche no Brunei, enquanto caça e comercializa peles de crocodilo. Depois de matar um elefante a tiro que se soltou do dono, Tennessee Buck é contratado para guia por um playboy queque (Brant von Hoffman) e a sua esposa-troféu (a playmate Kathy Shower, que em tempos foi a mulher mais velha a posar na capa da Playboy), que querem ir caçar um tigre branco qualquer, que raramente é mencionado e do qual nos esquecemos que é o leitmotiv do filme ao fim de 15 minutos.

Os três mais o sidekick Sinaga (Sillaiyoor Selvarajan, que não tem uma única fala em todo o filme) vão então viajar para uma ilha onde vive uma tribo de canibais, vão ser capturados e terão que fugir, num encadeamento de episódios inconsequentes, muito estereotipados e machistas. Os locais são sempre selvagens semi-nus, que estão ali para receber ordem dos brancos, e todas as mulheres são apenas objectos para serem despojadas por Tennessee Buck. Ah, e para não falar que ele está sempre a matar animais aleatórios a tiro (elefantes, chitas…) apenas para impressionar as miúdas.

Não se percebe muito bem onde é que David Keith, que além de estrelar também realiza o filme, foi buscar investidores para pagar este série b filmado no Sri Lanka. O que se percebe muito bem é que foi apenas um veículo para ele dar forma a uma série de fetiches e desejos recalcados. E, provavelmente, para pagar coca. Porque ninguém conseguiria fazer Tennessee Buck e os Salteadores da Tribo Perdida sem estar em altas.

Filmado sempre num registo bem disposto, de matiné de aventuras, Tennessee Buck e os Salteadores da Tribo Perdida acaba por ter um twist inesperado já perto do final, quando se torna negro e é todo ele violação, morte e decapitação. Aliás, é aí que surge a cena pela qual o filme é conhecido por um grupo de reduzido de pessoas. É que antes de ser violada, Kathy Shower tem uma cena erotico-friendly em que é totalmente oleada pelas indígenas de forma demorada e como veio ao mundo. Diz o mito urbano que há uma versão uncut que passou nas televisões europeias em que essa cena é mais prolongada e envolve masturbação e um orgasmo. Mas parece-me que é apenas wishful thinking de gente que quer muito acreditar nisso. Enfim, provavelmente encontram essa cena no pornhub ou assim e pouparão tempo de vida e uma Hamburguesa de Choco, que nunca ninguém gosta realmente de comer.

Título: The Further Adventures of Tennessee Buck
Realizador: David Keith
Ano: 1988

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