| CRÍTICAS | Um Dia de Doidos

Parece que já foi há uma eternidade, mas foi há menos de duas décadas atrás que o mundo queria saber de Lindsay Lohan. Depois de ter sido uma child star, Lohan tornar-se-ia num ícone dos adolescentes, coleccionando simultaneamente elogios (Roger Erbert comparou-a a Jodie Foster e Robert Altman provava que era mesmo boa actriz, no muito bom A Praire Home Companion – Bastidores da Rádio) e polémicas com drogas. No entanto, antes disso, fora a galinha dos ovos de ouro da Disney, que a aproveitou para sacar umas coroas com meia-dúzia de filmes. O remake do clássico As Aventuras de Annabel, que seria chamado em português de Um Dia de Doidos como qualquer outra comédia que estreie por cá, seria o último e aquele que marcaria a transição de Lindsay Lohan da criancice para a adolescência.

Um Dia de Doidos é a típica história da adolescente a passar por uma fase difícil, que sente que ninguém a compreende, especialmente os pais. É uma altura em que as hormonas e a puberdade tornam tudo mais extremo: as alegrias são muito boas e as tristezas são muito más. Ao mesmo tempo, a mãe também não sabe como lidar com o crescimento da filha, o que faz com que entrem em choque regularmente. Contudo, uma chinesa num restaurante asiático há-de fazer uma magia chinoca qualquer (porque, como se sabe, os chineses, além de trocarem os erres pelos eles, são todos feiticeiros, com as suas agulhas de acupunctura e outras mezinhas da sua milenar (lol) medicina tradicional) e as duas irão trocar (literalmente) de corpo. Um Dia de Doidos leva à letra aquela máxima do walk a mile in my shoes.

Obviamente que Um Dia de Doidos estaria condenado ao anonimato se não fosse o seu elenco. De um lado havia Lindsay Lohan, que toda a gente seguia como estrela em ascensão; e, do outro, Jamie Lee Curtis, uma das últimas grandes scream queens que entretanto cresceu, envelheceu e se tornou numa das mais respeitadas actrizes que conseguiu fazer a transição da série b para o mainstream. E se a primeira se safa de forma razoavelmente boa a fazer underacting, a segunda dá a sensação que se está a divertir verdadeiramente no papel de adolescente, enquanto flirta com os rapazes e toca guitarra numa banda punk(-pop).

O filme só começa verdadeiramente quando as duas trocam de corpo, porque até aí é do mais genérico que pode ser. Além disso, Um Dia De Doidos centra-se demasiado em Lindsay Lohan e acaba por se esforçar em fazer de Jamie Lee Curtis uma vilã, o que não era nem necessário, nem recomendado. Mas depois entra em modo fun e desenrola-se até final sem fastio, ligando o descomplicómetro.

Rever Um Dia de Doidos quase vinte anos depois é ainda como abrir uma cápsula do tempo. É incrível olhar para Lindsey Lohan vestida à Avril Lavigne e pensar que as baggy pants já foram uma cena. Há ainda um name dropping de bandas completamente à toa, que é giro de se ver. Hives, Vines… quem? Mas depois alguém pergunta pelos White Stripes. Não os suporto, arranjem um baixista, responde Lindsay Lohan. Lindsay-quê? Vá, vamos fazer de conta que não ouvimos isso e leva lá o Double Cheeseburger antes que mude de ideias.

Título: Freaky Friday
Realizador: Mark Waters
Ano: 2003

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