| CRÍTICAS | Ninguém 2

Ninguém foi um óptimo (e inesperado) filme de acção, sendo de longe o melhor dos descendentes de John Wick. E nem sequer era tanto por ser um belo arraial de sopapo, com um improvável Bob Odenkirk (esse mesmo, o de Better Call Saul). Era mais por ser um divertido drama existencial sobre um agente especial que havia trocado de vida por uma banal existência familiar com um emprego das 9 às 6, por pensar que era isso que as pessoas deviam fazer, apenas para descobrir que não, que a sua frustração era só a vontade reprimida de sair por aí a bater, esfolar e matar.

Depois do sucesso de Ninguém, a sequela era inevitável. Mas havia algo que era impossível de repetir: o facto surpresa do primeiro filme, quando descobríamos queda final, Odenkirk não era o tipo banal que aparentava ser, mas antes uma autêntica máquina de matar. Ninguém 2 apoia-se então com todas as formas nessa parte mais existencial, de que falei no primeiro parágrafo, e que fazia de Ninguém a versão super-vitaminada do Beleza Americana.

Bob Odenkirk está então de volta ao activo. Agora a família já está ao corrente do seu passado e este pode ser feliz a fazer o que mais ama. Certo? Errado. Odenkirk está esgotado e quase a entrar em burnout, sobrecarregado de trabalho por ter que pagar a dívida pelos estragos causados no primeiro filme. Como é que disse Confúcio? Trabalha naquilo que gostas e nunca mais gostarás de nada na vida. Por isso, decide tirar umas férias para repor as forças.

Odenkirk e a família decide, ir uns dias para um lugarejo turístico de onde o primeiro tem óptimas recordações de infância, apenas para descobrir da pior maneira que não se regressa onde se foi feliz. É que Plummerville é apenas uma fachada para inúmeros negócios sujos, incluindo os casinos de uma Sharon Stone particularmente violenta e cruel. E também nós repetimos pela enésima vez o erro de acreditar que a sequela podia ser tão boa quanto o primeiro filme.

Ninguém 2 torna-se então num filme altamente derivativo, que parece ter sido criado por uma entidade de inteligência artificial alimentada apenas pelas comédias de acção dos anos 80. De tal forma que até há de terminar como um episódio de Os Soldados da Fortuna, com Odenkirk, o irmão RZA e o pai Christopher Lloyd a sitiarem-se e a armadilharem a aldeia enquanto são atacados por todos os lados pelos mauzões. Há na mesma um par de boas sequências de porrada, mas Ninguém 2 é tão genérico que, comparado com o filme anterior, é apenas um Happy Meal.

Título: Nobody 2
Realizador: Timo Tjahjanto
Ano: 2025

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